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Terminal alia tecnologia com sustentabilidade para consolidar novo corredor de exportação de grãos no Brasil

06/12/2017 - G1

O escoamento da produção agrícola nacional tornou-se mais ágil e seguro com a ampliação do Terminal Integrador Portuário Luiz Antônio Mesquita (Tiplam), no Porto de Santos, entregue este ano pela VLI. Um investimento de R$ 2,7 bilhões possibilitou aliar eficiência logística com sustentabilidade.

O Tiplam localiza-se às margens do Canal de Piaçaguera e com a ampliação passa a movimentar 14,5 milhões de toneladas de produtos por ano. A capacidade é quase seis vezes superior à anterior, quando o terminal, originalmente inaugurado em 1969, operava apenas com a importação de enxofre, fertilizantes, rocha fosfática e amônia.

A expansão possibilitou que a instalação passasse a operar exportação de soja, farelo de soja, milho e açúcar, tornando-se uma moderna aliada para o escoamento da produção agrícola nacional. Com o adicional de capacidade já incrementado, o terminal acrescenta aproximadamente 20% ao volume de commodities agrícolas exportado por Santos em 2016.

A ampliação da sua estrutura possibilitou o início da exportação de grãos e açúcar no Tiplam

Os números positivos possibilitaram a consolidação do Corredor Centro-Sudeste, considerado pelo agronegócio nacional uma importante rota de escoamento de granéis sólidos. O trajeto inicia-se nos terminais integradores da VLI em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e Guará, no interior de São Paulo, e segue até o complexo portuário santista.

O início do transporte é realizado por caminhões, que fazem o transbordo da carga para trens nos terminais. As composições férreas atravessam o Estado, descem a Serra do Mar e acessam os novos 11 quilômetros de trilhos instalados no terminal, capaz de descarregar uma composição com 85 vagões em até seis horas.

Toda a carga destinada à exportação chegará por trilhos. Com a plena exploração do modal ferroviário, evitamos o acréscimo de 1.500 caminhões circulando por dia nas rodovias do litoral. Não fazia sentido a gente investir mais de R$ 2 bilhões sem criar algum benefício para a comunidade onde estamos atuando, pondera o gerente-geral do Tiplam, Alessandro Gama.

A readequação da cadeia logística, visando segurança e qualificação operacional, custou cerca de R$ 2 bilhões. A empresa construiu terminais multimodais no interior, adquiriu novas locomotivas e vagões, modernizou a linha férrea no trajeto e está ampliando oficinas de manutenção.

As modernizações possibilitarão que o corredor de exportação de grãos, cujo destino final no País é Santos, aumente de 7,5 milhões para 19,8 milhões de toneladas de granéis sólidos ao ano. Segundo estimativas da própria companhia, o investimento possibilita redução de tempo no ciclo de toda a cadeia logística em até 70%.

Em sua estrutura original, o Tiplam possuía um pátio de enxofre, um armazém para fertilizantes, além de um tanque de amônia. Essa instalação, anterior à ampliação, totalizava 140 mil toneladas de capacidade estática para guardar os produtos, que até então tinham à disposição somente um berço de atracação de navios para importação.

Durante a ampliação, foram construídos um novo pátio para 66 mil toneladas e cinco novos armazéns: dois para grãos (83 mil toneladas cada), um para açúcar (114 mil toneladas), um que pode abrigar tanto açúcar quanto grãos (114 mil toneladas ou 83 mil toneladas) e outro para fertilizantes (60 mil toneladas).

O novo Tiplam completou-se com três novos berços construídos para atender à nova demanda da instalação. Os atracadouros, aos poucos, também são capazes de receber navios com maior capacidade e maior calado (profundidade estabelecida pela distância entre a linha d'água e o fundo da embarcação) ao final da recuperação do canal de navegação.

primeiro carregamento de navio de grãos do tiplam ocorreu em janeiro de 2017 (Foto: Marcos Peron) primeiro carregamento de navio de grãos do tiplam ocorreu em janeiro de 2017 (Foto: Marcos Peron)

 

Canal Piaçaguera: solução de um passivo ambiental

 

A ampliação do Tiplam ocorre em paralelo com a recuperação da profundidade do Canal de Piaçaguera, via aquaviária utilizada para acessar os terminais na região mais abrigada do Porto de Santos. A área, degradada com a exploração industrial de Cubatão no final do último século, demandou estudos específicos e cuidadosos.

A dragagem é fundamental para o desenvolvimento econômico da região e para a solução ambiental do passivo. Hoje, a situação do canal é crítica, tanto ambiental, quanto economicamente, comenta o diretor comercial de novos negócios da VLI, Fabiano Lorenzi. Segundo ele, a recuperação do canal agrega para toda a região.

Para o passivo ambiental, soluções inéditas no País foram desenvolvidas para a deposição de sedimentos retirados do fundo do canal. Iniciamos os estudos em 1999 e obtivemos o licenciamento em 2005. O planejamento é para restabelecer a navegabilidade e promover a limpeza segura, explica o presidente da Consultoria, Planejamento e Estudos Ambientais (CPEA), Sérgio Pompéia.

A CEPEA trabalhou em conjunto com autoridades ambientais brasileiras e estrangeiras, inclusive especialistas do Exército dos Estados Unidos. São três fases autorizadas, licenciadas e customizadas para execução dos trabalhos, todas elas com a máxima segurança à preservação da natureza, segundo a empresa.

Para receber o material de dragagem do Canal foi aberta uma cava subaquática construída próxima à região do Canal de Piaçaguera, em área abrigada. O sedimento, que antes ocupava a área, foi depositado em mar aberto, em local apropriado que já recebe os resíduos da dragagem do Canal do Estuário, principal via marítima de acesso aos terminais do Porto de Santos.

Os sedimentos não aptos à disposição oceânica dragados do Canal de Piaçaguera são depositados nessa célula, que foi isolada para evitar qualquer contaminação no ecossistema marinho no entorno. Ao final do preenchimento, previsto para ocorrer ainda este ano, o compartimento é selado e passa a ser monitorada por técnicos e engenheiros. A tecnologia adotada na dragagem chama-se Clean-Up (limpeza, em inglês).

A disposição em cava é utilizada em diversos países, como os Estados Unidos. Após a etapa de disposição e confinamento, não há mais o risco de dispersão de contaminantes, explica o engenheiro especialista em dragagem Paul Schroeder, que integra o USACE (Corpo de Engenheiros do Exército Americano).

Com a dragagem, o Canal de Piaçaguera atingirá uma profundidade com material apto à disposição oceânica, facilitando dragagens de manutenção futuras. A ação também permitirá a navegação de navios de maior capacidade (tipo Panamax). Atualmente, o trecho, que também atende aos terminais do Polo Petroquímico de Cubatão, tem profundidade média de 10 metros, comprometendo o acesso aos cargueiros.



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