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Carajás expande a lavra para novas áreas

23/02/2015 - Valor Econômico

Do mirante, a mina N4E, na Serra norte de Carajás, no Pará, surge em toda sua dimensão: explorada a céu aberto, a cavidade se estende por três quilômetros de extensão e 1,5 quilômetro de largura. Na base, a 480 metros de profundidade, os caminhões fora de estrada que recolhem o minério parecem de brinquedo. A N4E é simbólica: foi a primeira mina de minério de ferro da Vale a entrar em operação em Carajás, há 30 anos. Hoje, esse complexo minerador, encravado no que restou de Floresta Amazônica no Sudeste do Pará, está entrando em nova etapa marcada pela maturidade de minas, como a N4E, e pela expansão da lavra para áreas ainda intocadas. O propósito da Vale é continuar a garantir o crescimento da produção de minério de ferro no norte do país.


Nessa nova fase, a Vale se prepara para operar em Carajás com capacidade de processar 154 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em quatro sistemas de beneficiamento, a partir do fim de 2015. Os planos de crescimento se desenvolvem apesar da queda nos preços do minério de ferro, que estão na faixa de US$ 62 por tonelada para o produto com 62% de teor de ferro no mercado à vista da China. "Considerando atividades de manutenção e ampliação, é importante avançar a lavra nos corpos N4 e N5", diz Paulo Horta, diretor de ferrosos norte da Vale. Na serra norte de Carajás, a empresa possui nove "corpos" de minério de ferro, divididos em letras e números: do N1 até o N9. Mas, até hoje, a Vale explora somente os corpos N4 e N5. Significa que a empresa tem potencial para explorar mais sete corpos minerais na serra norte de Carajás, considerada como uma das maiores províncias minerais de ferro do mundo.


A decisão de expandir a lavra depende de vários fatores, incluindo a decisão da companhia, as condições de mercado e a obtenção de licenças, entre as quais a mais importante é a licença ambiental, uma vez que Carajás encontra-se dentro de uma unidade de conservação: a Floresta Nacional de Carajás (Flona), área de uso sustentável de 400 mil hectares. Horta afirma que a operação em Carajás está passando por um processo global de crescimento da produção. Situado no município de Parauapebas, o complexo mineral de Carajás se diversificou. Do minério de ferro e do manganês, produtos originais de 1985, quando a Vale concluiu a implantação do primeiro projeto, Carajás passou a produzir também minérios metálicos, caso do níquel e do cobre, produtos que, assim como o ferro, expandem a produção.


"Em 2014, produzimos [na serra norte de Carajás] mais do que em 2013 e, em 2015, vamos produzir mais do que em 2014, assim como 2016 [o volume] será superior a 2015. É um movimento natural", diz Horta. O impulso será dado por projetos novos. Um deles é a mina na serra leste de Carajás, município de Curionópolis (PA), que entrou em fase de testes em 2014. Essa operação vai acrescentar, inicialmente, 2 milhões de toneladas de minério de ferro à produção anual de Carajás. Mas a empresa planeja expandir esse volume para 6 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a 10 milhões de toneladas anuais. Os embarques de minério da serra leste, que está fora da Flona, dependem, porém, da obtenção de licença de operação emitida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas).


A Semas informou que o projeto serra leste encontra-se na fase de licenciamento incluindo operação de mina, beneficiamento e pêra ferroviária. A licença de operação da mina foi aprovada e emitida. "Os outros dois processos [usina e pêra] já foram concluídos nas análises técnicas e estão em análise jurídica", disse a Semas. A secretaria afirmou que todo o processo de licenciamento considera a produção de 2 milhões de toneladas por ano. Existe uma carta-consulta da Vale solicitando termo de referência para a expansão da produção para 10 milhões de toneladas por ano. Essa expansão está em análise na gerência de licenciamento de projetos minerários da Semas.


Na serra norte de Carajás, a Vale está em fase de crescimento da produção da usina 2, com capacidade para beneficiar 40 milhões de toneladas de minério de ferro por ano valendo-se de um processo que praticamente elimina o uso de água. Esse sistema, resultado de inovação tecnológica, foi adaptado pela Vale às condições pluviométricas da região. A usina 2 deverá estar rodando em ritmo de plena capacidade a partir do fim de 2015, disse Horta. Para atingir a capacidade nominal na usina 2, a Vale conta com o minério produzido na mina N4W, em operação desde 1994, mas também com o produto que sairá de uma nova frente de lavra que está sendo aberta ao sul da mina N4W, conhecida como N4WS. A Vale obteve a licença do Ibama e a autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para explorar o N4WS no ano passado. A empresa planeja ainda avançar a lavra para o sul da cava N5, no corpo conhecido como N5S, em um trabalho que vem sendo analisado em partes pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


O N4WS é um corpo mineral que complementa a exploração das minas N4 e N5, em operação desde meados dos anos de 1980 e do fim da década de 1990, respectivamente. Os trabalhos de perfurar, desmontar as rochas com explosivos e carregar o material nos caminhões fora de estrada, a atividade convencional da mineração, está em andamento no N4WS. Essa mina é importante para os planos de produção da Vale em 2015 e 2016. Com área de 5 quilômetros de extensão e 2,5 quilômetros de largura, parte dela ainda com floresta em pé, a N4WS apresenta maior qualidade do minério e uma menor relação entre o produto a ser beneficiado e o material descartável, chamado de estéril. Por estar localizada perto do britador primário da planta 2, a mina também reduz o custo médio de transporte do produto dentro do Complexo Minerador de Carajás.


A Vale tem projeções que mostram que o aumento da produção vai reduzir o custo operacional da empresa. De janeiro a setembro de 2014, o custo total de produção da Vale, incluindo mina, usina de beneficiamento, ferrovia e porto, após o pagamento de royalties, era de US$ 23,6 por tonelada. Há previsão de que esse custo caía para US$ 19,6 por tonelada em 2018. No sistema norte, o custo de produção em nove meses de 2014 ficou em US$ 21,2 por tonelada e a previsão é de que baixe para US$ 16,9 por tonelada em 2018.


A conta considera o S11D, o maior projeto de minério de ferro da história da companhia, previsto para entrar em operação, na serra sul de Carajás, no segundo semestre de 2016. O presidente da Vale, Murilo Ferreira, já disse publicamente que o S11D, o porto de Tubarão (ES), inaugurado em 1966, e Carajás são simbólicos para a Vale: "São três projetos para o minério de ferro decisivos para nós."


Em Carajás, a Vale conta ainda com outras plantas para beneficiar o minério de ferro. A mais antiga, a usina 1, tem capacidade de 94 milhões de toneladas por ano e também está passando por um processo de redução no consumo de água no processamento. Das 17 peneiras de beneficiamento da unidade, 10 já operam sem água. "Até 2018 estaremos trabalhando com 100% da produção pelo processo de umidade natural", diz Horta.


Carajás tem ainda outras duas plantas de processamento. Uma delas, conhecida internamente como usina 3, é formada por sistema de peneiramento e correias transportadoras e está apta a processar até 18 milhões de toneladas, dependendo da disponibilidade de minério fino, seco e sem material argiloso. Existe ainda a planta 4 para processar 2,5 milhões de toneladas/ano de produto reaproveitado de barragens de rejeitos. Só na barragem do Gelado há uma reserva de 140 milhões de toneladas de minério fino que está sendo reaproveitado pela Vale em misturas ("blends").


O volume total, de 154 milhões de toneladas de capacidade de beneficiamento a ser atingido a partir do fim de 2015, é mais de quatro vezes superior à produção inicial planejada para o projeto há 30 anos. Em 1985, em sua inauguração, o Projeto Ferro Carajás, como era conhecido, surgiu como uma iniciativa integrada, reunindo mina, usina, ferrovia e porto, com o objetivo de produzir 35 milhões de toneladas anuais. Na sexta-feira, completam-se 30 anos do começo da operação, em 28 de fevereiro de 1985, da Estrada de Ferro de Carajás (EFC), construída para escoar a produção de minério de Carajás até São Luís (MA).


Ao longo de todos esses anos a produção de minério de ferro nas jazidas de Carajás cresceu gradualmente. Começou com 900 mil toneladas em 1985, atingiu 35,2 milhões em 1993, chegou a 52,4 milhões em 2001 e ultrapassou 100 milhões em 2010. Em 2014, Carajás produziu 119,6 milhões de toneladas de minério de ferro, com alta de 14,1% sobre o ano anterior.


O volume de ferro que saiu das jazidas de Carajás em 2014 representou 37,5% da produção total da commodity da Vale, que atingiu 319,2 milhões de toneladas, sem considerar compras de terceiros. Os sistemas Sudeste e Sul da Vale, em Minas Gerais, e o sistema Centro-Oeste (MS), respondem pelo volume restante. Para 2015 e 2016, a meta é produzir, respectivamente, em seus sistemas 340 milhões e 376 milhões de toneladas de minério de ferro.


Na história de Carajás, foi a exploração por décadas de minas, caso da N4 e N5, que levou a Vale a buscar a expansão da lavra. A razão para esse movimento está no fato de que as minas em atividade há muitos anos passam a ter capacidade mais limitada de extração e o custo de produção aumenta. Mesmo assim, as cavas mais maduras ainda tem vida útil pela frente: a N4E, por exemplo, tem data de exaustão projetada para 2028, daqui a 13 anos. No fim da vida útil, a mina terá uma profundidade de 600 metros. A N4W está prevista para se exaurir em 2032, dentro de 17 anos. Essas previsões podem mudar, dependendo do volume produzido e de outras variáveis como as condições de mercado.



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