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Vale faz campanha sobre troca de ações

05/07/2017 - Valor Econômico

A Vale decidiu fazer uma campanha para alertar seus acionistas de que eles terão de tomar em breve uma decisão importante para o futuro da mineradora e de seus próprios investimentos. Até 11 de agosto, os donos de ações preferenciais (PNA) da companhia terão que decidir se aceitam trocar esses papéis por ações ordinárias (ON, com direito a voto), em operação que se insere na reestruturação societária proposta pela Valepar, a controladora da companhia. O objetivo da Vale é que o maior número possível de acionistas se envolva nesse processo.

"Não vamos fazer juízo de valor sobre a decisão a ser tomada [de trocar ou não as ações PNA por ON], mas queremos comunicar que cada preferencialista precisa tomar uma decisão importante para a companhia e para o futuro do investimento de quem é acionista", disse ao Valor Luciano Siani Pires, diretor-executivo de finanças da Vale. "Vamos perseguir nossos acionistas para que eles sejam lembrados de que precisam tomar essa decisão", brincou Siani.

Embora a Vale não vá se posicionar sobre o que o investidor precisa fazer, explica ele, a empresa pretende se comunicar com seus acionistas para que eles decidam "conscientemente" sobre a operação. "Seria muito ruim uma pessoa não se envolver, não tomar uma decisão por inércia, e ser carregada pelo resultado daquilo que os demais venham a decidir."

A Vale tem 255.118 acionistas e a maior parte desse universo de investidores refere-se a pessoas físicas no Brasil. A Vale não revela quantos investidores pessoas física têm na sua base, mas o Credit Suisse estimou que do total de preferenciais da empresa - de cerca de 1,96 bilhão de ações - 15,91% estão em mãos de investidores de varejo no Brasil.

É sobre esses investidores que vai recair a campanha da Vale. Haverá ações informativas em mídia digital e impressa e a empresa vai mandar "mala-direta" aos investidores. O acionista terá ainda a opção de buscar informações complementares em um espaço específico sobre a operação no site da empresa (www.vale.com/novagovernanca). Siani também gravou vídeo disponível nas plataformas digitais (Facebook, Twitter, Linkedin) para informar os investidores sobre a operação. A Vale busca ainda facilitar o contato dos investidores com as corretoras.

Outro foco da Vale são os chamados fundos passivos. Se a operação de troca de ações for bem sucedida, as ações ordinárias tendem a ter um aumento de liquidez em relação às ações preferenciais. Hoje a ação ordinária representa 4,01% do índice Ibovespa e a ação preferencial "A", 5,04%. O peso da ação ordinária no índice deve aumentar caso a operação atinja seu objetivo. Na visão da Vale, o fundo passivo teria incentivo de fazer a conversão uma vez que, se a transação se realizar conforme o planejado, o fundo poderia se posicionar de acordo com a composição do novo índice na bolsa. "Não vamos dizer se converter é bom ou não, mas explicar que caso a operação seja bem sucedida é interesse do fundo ter as ações que vão passar a ser a maior parte do índice", disse Siani.

A troca voluntária de ações PNA por ON embute desconto de cerca de 6% aos preferencialistas, mas a empresa e grande parte dos investidores entende que a operação é vantajosa. Na terça-feira, dia 27, 68% dos preferencialistas presentes à Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da companhia, convocada para discutir a reorganização societária, votaram a favor da conversão. Esses preferencialistas precisarão confirmar esse voto trocando as ações PN por ON até 11 de agosto, prazo final fixado para a conversão. A companhia precisa que outras 150 milhões de ações preferenciais, cerca de 20% de um total de cerca de 700 milhões de PNs que não estiveram presentes ou se abstiveram na AGE, também decidam a favor da conversão.

Esse é o número necessário para que a operação atinja uma adesão mínima de 54,09% dos preferencialistas e, como resultado, os atuais controladores fiquem com menos de 50% das ações ordinárias da companhia. "Se tiver sucesso, a operação assegura que daqui a três anos a Vale terá um controle difuso [sem bloco de controle]. Esse é o objetivo primordial da operação", disse Siani. Segundo ele, a migração para o Novo Mercado é uma possibilidade que passa a existir com a operação, mas não é condição para o sucesso da transação.

O problema, segundo analistas, é que parece impossível a Vale conseguir a adesão de 100% dos preferencialistas à operação. Se o percentual de adesão dos preferencialistas for menor do que 100%, a empresa continuará a ter duas classes de ações (ON e PN) e, portanto, não vai migrar para o Novo Mercado, segmento em que estão listadas companhias que têm somente ações ordinárias. A companhia não tem plano "B" para depois de 11 de agosto, o que significa que não há indicação de que, após esse período, a empresa possa alterar as condições fixadas na troca de ações para atrair os investidores dissidentes.

Siani e executivos da área de relações com investidores da Vale também farão viagens ao exterior, sobretudo Estados Unidos e Inglaterra, para conversar com os acionistas estrangeiros da companhia. Siani disse que a ideia é agradecer o apoio "maciço" que eles deram à operação. Mas também deverá haver conversas com fundos que votaram contra a operação. Entre eles, estão fundos da Capital Group, o maior dono de ações preferenciais da Vale. "Nossa obrigação é tentar trazer todos os acionistas para a operação, tantos quanto for possível", afirmou Siani.



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