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Vale espera fechar acordo em Moçambique no 3º tri

06/07/2017 - Valor Econômico

Embora as atenções do mercado sobre Vale estejam direcionadas para a operação de unificação de ações da companhia, a mineradora está em contagem regressiva para o fechamento de outra transação há muito tempo esperada, capaz de contribuir de forma relevante para a redução do endividamento da companhia a curto prazo. Trata-se da conclusão de uma operação bilionária de financiamento com um "pool" de bancos liderados pelo japonês JBIC para o empreendimento de carvão da empresa, em Moçambique, na África Subsaariana.

O financiamento se dá na modalidade "project finance" em que normalmente as receitas do empreendimento servem como garantia aos empréstimos dos bancos. "Estamos confiantes de que teremos a conclusão de tudo no terceiro trimestre deste ano. Estamos em contagem regressiva", disse ao Valor Luciano Siani Pires, diretor-executivo de finanças e de relações com investidores da Vale.

No fim de março deste ano, a Vale recebeu US$ 733 milhões de um total de US$ 770 milhões a serem pagos pela japonesa Mitsui por uma fatia no negócio de carvão da mineradora em Moçambique. Pelo acordo, a Mitsui assumiu participações acionárias na mina de carvão de Moatize, no noroeste do país africano, e também no Corredor Nacala, malha logística integrada por ferrovia e porto.

Na ocasião, a Vale disse que a Mitsui iria desembolsar a diferença, para chegar aos US$ 770 milhões, quando da conclusão da operação do "project finance" com os bancos. A estimativa é que os bancos desembolsem um valor de até US$ 2,7 bilhões na operação de financiamento, conforme já divulgado pela própria Vale. Não fica claro hoje qual deve ser exatamente esse valor.

Um analista disse que a operação, quando concluída, será bem recebida pelo mercado uma vez que vai reforçar a estratégia de "desalavancagem" da Vale. A Vale vem trabalhando para reduzir a dívida líquida da companhia para um patamar entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões, número que poderia ser alcançado até o fim deste ano dependendo dos preços do minério de ferro. A dívida líquida da Vale no primeiro trimestre de 2017 situava-se em US$ 22,7 bilhões, abaixo dos US$ 25 bilhões do fim de 2016.

A operação de financiamento para o carvão de Moçambique é aguardada há pelo menos dois anos pelo mercado. Mas já houve frustração dos investidores pelos diversos adiamentos na conclusão dessa transação. A Vale justificou os atrasos dizendo tratar-se de transação complexa envolvendo diversos países e instituições financeiras multilaterais e comerciais. Há no mercado quem trabalhe com a expectativa de a operação do financiamento do carvão ser finalmente fechada no quatro trimestre.

Este mês a Vale vai divulgar os resultados operacionais relativos ao segundo trimestre e há expectativa de que a produção de carvão em Moçambique continue mostrando melhorias. No primeiro trimestre do ano, a produção da commodity da Vale no país africano totalizou 2,4 milhões de toneladas, aumento de 170% sobre igual período do ano passado.

Também há expectativas, entre fontes do setor, se poderá haver mudanças na estratégia da Vale para o carvão a partir do diagnóstico que está sendo feito nos negócios da companhia a pedido do novo presidente da mineradora, Fabio Schvartsman.

Esse diagnóstico deverá ser divulgado ao mercado pela empresa logo depois que ficar pronto e for apreciado pelos acionistas.

No quarto trimestre de 2016, a área de carvão da Vale deu uma "virada", registrando um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 156 milhões. No primeiro trimestre, o Ebitda da área foi de US$ 61 milhões. Os preços do carvão metalúrgico, usado como matéria prima pelas siderúrgicas, está em um patamar confortável para a Vale. Depois de atingir um pico de quase US$ 300 por tonelada no mercado à vista da Austrália em abril deste ano, as cotações se estabilizaram na faixa de US$ 150 por tonelada. "É um preço bom para nós", disse Siani.



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