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Siemens manda recado político em fusão com Alstom

02/10/2017 - Valor Econômico

A fusão das operações ferroviárias da Siemens com as da francesa Alstom é um marco para o maior conglomerado industrial da Europa, mas também chega com um significado político mais profundo para seu executivo-chefe, Joe Kaeser.

O negócio, segundo Kaeser, serviu para enviar um recado político poucos dias depois de as eleições nacionais alemãs terem elevado a extrema direita do Alternativa para a Alemanha à condição de terceiro maior partido do país.

A mensagem da fusão é bem clara: o espírito europeu está vivo, disse a repórteres em Paris. É uma mensagem firme em tempos que estão marcados pelo populismo, pelo nacionalismo, por divisões sociais e políticas e por uma liderança egocêntrica.

Comentários como esses caracterizam Kaeser, de 60 anos, como um executivo que se importa com mais que o retorno dos acionistas - em particular, a defesa da noção mais ampla de responsabilidade empresarial, em um momento no qual muitos mostram cautela excessiva ao falar de política.

Seria possível fazer isso sendo legal com todos; mas essa não é a abordagem dele, diz Dieter Zetsche, executivo-chefe da Daimler. Ele mantém-se firme em suas convicções. Não arrisca prejudicar sua companhia, mas [se posiciona] na medida do possível.

Kaeser disse a repórteres: As pessoas que acreditam que isto se trata apenas do trimestre ou maximizar o preço das ações; que compram e vendem com base em rumores e transações - são responsáveis pelo mundo estar dividido como nunca. Temos responsabilidade de congregar as pessoas.

Neste ano, ele acompanhou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, à Casa Branca e explicou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por que a Alemanha exibe superávits comerciais tão grandes.

Eu disse a ele: tivemos que exportar muito para ter tantos Mercedes na Quinta Avenida quanto iPhones na Alemanha, contou ao jornal de economia alemão Handelsblatt. Não caiu muito bem.

Kaeser, pai de duas filhas, também tem um lado ameno. É conhecido pelo senso de humor, embora seu estilo se incline mais para piadas de pai, ou o que um colega chama de o mundialmente famoso humor alemão.

Quando perguntado por que a Siemens escolheu a Alstom em vez da Bombardier para a fusão na área de trens, o executivo disse que a escolha foi por ordem alfabética. Neste ano, quando uma conferência foi adiada por um alarme de incêndio, disse que não precisavam se preocupar: o que estava pegando fogo eram as ações da Siemens, perto do maior nível em 16 anos.

Nos últimos dois anos, as ações da Siemens valorizaram-se quase 50%. Projeta-se aumento no lucro operacional deste ano para € 8,3 bilhões, em comparação aos € 5,8 bilhões de 2015, segundo a S&P Capital IQ.

Os números são reflexo do sucesso da iniciativa Visão 2020, que Kaeser lançou em 2014, um ano após ter passado de diretor financeiro a presidente. Ele percebeu a necessidade de tornar o conglomerado mais dinâmico e prepará-lo para a automação, a era industrial digital e o mundo interconectado da internet das coisas.

Kaeser, que entrou na Siemens aos 24 anos, quer que o foco da grupo seja direcionado aos negócios industriais principais, mas também quer dar mais autonomia às unidades secundárias, para que possam operar mais como uma frota de navios e não um desajeitado superpetroleiro.

Werner Wenning, presidente do conselho de administração da Bayer e membro do conselho de supervisão da Siemens desde 2013, disse que Kaeser foi um golpe de sorte para o grupo.

Ele foi capaz de, em um curto período, mudar a Siemens, reestruturar a companhia, diz Wenning. Se você acompanhar os últimos quatro anos, ele teve um desempenho absolutamente dentro do que havia prometido. Em certos aspectos, [até] superior.

Em abril, a Siemens uniu a unidade de energia renovável com a Gamesa, da Espanha. A Siemens tem fatia de 60%. O negócio com a Alstom segue o mesmo modelo: a Siemens é majoritária, mas a empresa será administrada na França. Um terceiro grande passo está previsto para 2018, quando a Siemens quer abrir o capital de sua unidade de produtos médicos.

Lançamos muitos navios ao mar agora e, primeiro, precisamos certificar que eles vão cumprir seu propósito, disse Kaeser ao Financial Times. Estamos chegando muito, muito perto do que eu sempre chamei de 'a Siemens industrial', com sinergias muito bem ajustadas na cadeia de valor.



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