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Sob pressão para pagar o Tesouro, banco busca captação no mercado internacional

10/10/2017 - Valor Econômico

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai realizar encontros com agências de classificação de risco em novembro, em Nova York, e preparar o terreno para captações de recursos no mercado internacional. Segundo Paulo Rabello de Castro, presidente do banco, o objetivo seria tratar das notas de classificação de risco do BNDES em escala global.

De acordo com o site do banco, a classificação de risco da instituição, em escala global, é de "BB", com perspectiva negativa, na agência S&P; e de "Ba2", com perspectiva negativa, na Moody's. Ambos estão nivelados aos rating dos títulos soberanos brasileiros, usados como limitador para a nota de risco das instituições financeiras.

"Esse será um debate lento e prudente, no sentido de postular que o banco tem condições de varar o teto soberano. Ou seja, nosso rating solteiro, por conta própria, é descolado. Como velho classificador de risco, posso dizer com suspeita torcida que o banco tem pelo menos três pontos percentuais acima do rating soberano, isso para ser muito discreto", disse.

A captação de recursos tornou-se mais urgente depois que o governo federal passou a cobrar que o BNDES antecipe o pagamento de R$ 180 bilhões, quitando parte dos empréstimos que o Tesouro fez à instituição de 2009 para cá. O banco trabalha para devolver R$ 50 bilhões considerados emergenciais pelo governo ainda neste ano.

Segundo Rabello de Castro, o banco está atualmente "correndo" para realizar captações internacionais de recursos no mercado internacional, o que deve ocorrer a partir do início de 2018. Ele disse que as captações e empréstimos de entidades multilaterais estarão agora entre as principais fontes de recursos do BNDES, logo atrás do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

"O que acontece é que precisamos de tempo para escalonar essa alteração de fontes de fundos, e esse escalonamento não necessariamente casa com a emergência governamental da regra de ouro", disse o presidente do banco, que fez questão de frisar que "não há divergência alguma entre nós e a equipe do Ministério da Fazenda."

Além do governo, o governo federal também tem pleiteado a devolução de recursos do banco ao FAT, que passaria por um momento de "desequilíbrio grave" com despesas de seguro-desemprego e abono. O BNDES sinalizou, no entanto, que está em aberto buscar uma remuneração "diferente", que dê aos trabalhadores "excelente retorno" e ao banco "excelente funding".

Para o economista, esse arranjo de funding, que inclui ainda a emissão de debêntures incentivadas, seria uma espécie de volta a 2007, quando as principais fontes de recurso do banco eram o FAT, fundos internacionais (via empréstimos de entidades multilaterais e captações em mercado) e captações no mercado doméstico brasileiro.



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