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Carajás colocará Estado no topo da produção de minério de ferro

30/11/2017 - Valor Econômico

Em breve, o Estado do Pará deverá se tornar o maior produtor de minério de ferro do país e se consolidar como uma das principais províncias minerais do mundo. O avanço gradual do projeto de ampliação de exploração do metal em Carajás, na serra sul da maior mina de minério do mundo, batizado pela Vale de S11D, ampliará a posição de liderança global da multinacional verde-amarela.

Em 2015, 37% da produção total da mineradora brasileira vinham do sistema Norte, no Pará, percentual que deverá pular para 50% a 55% em 2018, o que também terá duplo impacto sobre a receita, não apenas em termos de volume, mas em preços. O minério extraído da serra sul de Carajás, projeto inaugurado no fim do ano passado e em avanço gradual de produção até 2020, tem alto grau de pureza e preço negociado mais alto.

No terceiro trimestre, a produção de minério de ferro da Vale atingiu 95 milhões de toneladas, recorde trimestral, resultado influenciado pelo aumento da exploração da serra sul de Carajás, que somará, até 2020, 90 milhões de toneladas do metal para a empresa e reservas superiores a 4,2 bilhões de toneladas métricas, o que assegura grande potencial futuro.

A duplicação e a renovação de quase 800 quilômetros da estrada de ferro Carajás e um novo berço de atracação no terminal da Madeira (MA), permitem que o sistema logístico da empresa tenha capacidade de 230 milhões de toneladas anuais. Foram investidos quase US$ 20 bilhões no S11D. Cerca de US$ 8 bilhões vão para instalaçãO da nova mina e da usina; o restante será destinado à logística. "Isso torna a empresa a maior produtora de minério de ferro do mundo de custos mais baixos", diz o presidente, Fabio Schvartsman.

Para reduzir os impactos ambientais do empreendimento, no coração da Amazônia, uma das novidades do projeto é o uso de sistema móvel de correias transportadoras no lugar de caminhões para transporte do minério de ferro entre a mina e a planta de processamento, uma maneira de reduzir custos operacionais e emissões de carbono. Uma das fornecedoras foi a ABB. "A mineração utilizará cada vez mais equipamentos automatizados e o Brasil é um mercado em potencial", diz o presidente do grupo sueco-suíço, Ulrich Spiesshofer.

A atividade mineral tem impacto nos municípios de onde se extrai o metal. Segundo o Censo 2010, os dois maiores PIB per capita do Estado eram, respectivamente, Canaã dos Carajás (R$ 48,6 mil) e Parauapebas (R$ 45,2 mil).

As exportações do Estado deverão crescer nos próximos anos. Entre janeiro e outubro, os embarques somaram US$ 12 bilhões, alta de 45% em comparação anual, com a China respondendo por 40% desse total. O principal produto é o minério, cujas exportações totalizaram US$ 6,5 bilhões, alta de 80% em comparação anual, resultado do avanço do S11D e reforçando sua posição de liderança na pauta exportada do Pará. O metal responde até outubro por 54% dos produtos exportados.

O governo local busca verticalizar a produção dos metais, uma vez que o aumento da produção de metais no Estado tem criado poucos resultados para seus cofres. "O setor de mineração responde por menos de 5% do ICMS e dos empregos", destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Adnan Demachki. A baixa arrecadação tributária está ligada à Lei Kandir, que isenta, desde 1996, de ICMS produtos direcionados à exportação. Grande parte dos projetos de mineração tem foco o exterior. Os maiores clientes do minério de ferro da Vale, por exemplo, são siderúrgicas chinesas. Calcula-se no Estado que as perdas por conta da legislação nacional somam mais de R$ 20 bilhões em 21 anos.

A indústria tem buscado fortalecer a cadeia de fornecedores no Estado e formar mão de obra capacitada, para agregar mais valor à produção local. "As empresas estão se preparando para usar a mão de obra local e estruturar uma ampla seleção de fornecedores, como supermercados e farmácias, nas regiões em que nada existe", destaca Marcel Souza, diretor executivo da Redes, uma iniciativa local das indústrias para criar a estrutura dos projetos. Em muitos casos, como nas novas fronteiras minerais, na Volta do Grande Xingu, é preciso pensar em todos os elos da cadeia e iniciar a atração de comércio.

A competitividade do setor e do Pará poderá ser afetada. O Senado aprovou a nova legislação sobre o setor mineral no Brasil, que, além de uma criar uma nova agência reguladora sobre a área, estabeleceu novas alíquotas sobre os royalties. No caso do minério de ferro, em vez de 2% sobre a receita líquida, serão cobrados 3,5% do faturamento bruto.



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