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Serviços de ônibus e metrô não dão conta da demanda de passageiros no carnaval

12/02/2018 - O Globo

O transporte público atravessou a harmonia do carnaval carioca durante o fim de semana. Faltaram conforto e regularidade; sobraram filas e reclamações de foliões. No sábado, os usuários do metrô sofreram para embarcar em composições superlotadas e foram surpreendidos com o fechamento de algumas estações. Já os passageiros de ônibus, principalmente os das zonas Norte e Oeste, tiveram de suportar uma longa espera em vários pontos.

De acordo com a MetrôRio, houve um aumento de 12,78% no fluxo em relação ao sábado de carnaval do ano passado. Na comparação, o número de passageiros subiu de 798 mil para 900 mil — em um dia útil, o sistema, composto por 41 estações, recebe 860 mil passageiros das 5h à meia-noite. Mas, segundo a concessionária, os problemas para embarque nas estações não foram causados pelo aumento da demanda, mas por vandalismo.

A MetrôRio informou que diversas composições demoraram a sair de plataformas porque passageiros impediam o fechamento das portas. A concessionária registrou 11 invasões de áreas com trilhos, que provocaram a paralisação do sistema por um período total de 40 minutos. Houve ainda uma série de atos de vandalismos nos vagões: 18 portas e oito janelas foram quebradas, e dois trens tiveram o teto danificado. Além disso, um trem foi pichado.

 

MELHORIAS DEPOIS DE CONFUSÃO

 

O domingo também teve estações e composições lotadas, mas a situação melhorou em relação ao dia anterior. Por conta dos problemas registrados na véspera, a concessionária reforçou as equipes de segurança e montou esquemas especiais de embarque e desembarque em algumas estações, como a da Glória, onde havia um acesso só para entrada e um outro apenas para a saída de passageiros. Grades foram instaladas para organizar a chegada de usuários, e funcionários montaram bilheterias na área externa para agilizar a venda de bilhetes.

Celso Moreira, cozinheiro do hotel Fasano, em Ipanema, aprovou medidas semelhantes tomadas na estação da Central do Brasil, mas fez questão de reclamar do sofrimento que passou para chegar ao trabalho, no sábado:

— Foi um inferno. Tive que esperar uma hora e 40 minutos para conseguir entrar numa composição. Por precaução, hoje (domingo), saí de casa bem cedo para conseguir chegar antes das 13h em Ipanema — contou Celso.

Os vendedores William Paula, Carlos Silva e Eliel Nunes também se queixaram. No sábado, os dois primeiros decidiram encarar o desafio de entrar na estação da Praça Cardeal Arcoverde; o terceiro desistiu e foi dormir nas areias de Copacabana. Ontem à tarde, os três amigos pegaram novamente o metrô, para ir à Praça General Osório, em Ipanema.

— Estamos indo para a concentração do bloco Simpatia É Quase Amor. Espero conseguir voltar para casa à noite — disse Eliel.

Moradora do Méier, Rita Morais foi surpreendida, no sábado, com o fechamento da Estação Cantagalo.

— Havia muito tumulto, e os seguranças decidiram bloquear os acessos, o que causou mais confusão. Por causa dos muitos blocos que desfilaram pela Zona Sul, era esperado um aumento do número de passageiros, mas fiquei com a impressão de que o metrô não se preparou para tanta gente.

 

MUDANÇA QUE NÃO DEU CERTO

 

Ontem pela manhã, os foliões Tiago Ribeiro, Antônio Conceição e João Ricardo tomaram um susto com o tamanho da fila na entrada da estação do Jardim Oceânico, na Barra.

— Nós viemos de BRT até aqui, sem problemas. Saímos do Sampaio para a Barra por acharmos que seria mais fácil chegar ao Leblon de metrô. Ontem (sábado), tentamos ir de ônibus para a região do Centro, mas desistimos depois de ficarmos quase uma hora num ponto. Rachamos a despesa de um táxi. As autoridades recomendam o uso de transporte público, mas, infelizmente, parecem não ver o que está acontecendo — contou João Ricardo.

A espera de mais de uma hora por um ônibus que pudesse levá-la do Aterro do Flamengo para a Tijuca fez a arquiteta Marina de Silva, que saía ontem do bloco Bangalafumenga, adotar uma solução radical.

— Caminhei até a Avenida Presidente Vargas — afirmou Marina. — Não é possível que uma festa como o carnaval não seja organizada o suficiente para evitar esse tipo de situação. Isso me deixa desanimada para ir a algum bloco amanhã (hoje) — lamentou.

Muitos ônibus que passavam na manhã de ontem pelo Aterro do Flamengo estavam tão lotados que sequer paravam nos pontos. Quando um sinal ficava vermelho, era uma correria. Foliões do Bangalafumenga e do Toco Xona chegaram a brigar para tentar embarcar. O estudante Igor Cordeiro via a confusão e não sabia o que fazer.

— Desisti do metrô depois de uma péssima experiência. Fecharam a estação da Cinelândia e a da Carioca estava o caos, ontem (sábado). Mas o problema é que simplesmente não passa ônibus para a Tijuca, onde moro. No carnaval do Rio, chegar em casa é um desafio — reclamou Igor.

Em nota divulgada pelo Rio Ônibus, o sindicato das empresas do setor, os consórcios Santa Cruz, Transcarioca, Internorte e Intersul informaram que as operações neste carnaval vêm sendo realizadas conforme o previsto, levando-se em consideração o impacto causado por interdições de vias, motivadas por desfiles de blocos e escolas de samba. O texto diz ainda que os dois anos sem reajuste da tarifa formaram um “cenário de colapso” que impede um atendimento de melhor qualidade a passageiros, inclusive com uma oferta maior de veículos.

 

NA CENTRAL, RETRATO DA SITUAÇÃO

 

A mais importante área de integração de transportes da cidade, com plataformas de ônibus, metrô e trens, a Central do Brasil era, ontem e no sábado, um retrato fiel da confusão nos transportes públicos. Vans paravam irregularmente, a sujeira se espalhava pelas estações e calçadas, e faltava organização para a intensa movimentação de passageiros.

— Como os serviços não funcionam no dia a dia, era difícil crer que o poder público e as concessionárias fossem capazes de garantir uma boa estrutura no carnaval, com uma demanda maior. Faltou planejamento — afirmou José de Oliveira Guerra, professor de Engenharia de Transportes da Uerj.



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