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Após dois mandatos, Alckmin entrega obras de mobilidade em SP com atraso e emissão de poluentes aumenta

11/04/2018 - O Globo

Pré-candidato pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin é, por enquanto, o único dos presidenciáveis que entra na disputa vindo do Executivo. Após quase oito anos no comando do estado mais rico do país, o tucano passou o bastão para seu vice, Márcio França (PSB), na semana passada. A equipe de checagem do GLOBO voltou às propostas de governo apresentadas por Alckmin ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2010 e 2014 e listou as promessas presentes nos dois planos.

A primeira checagem da série mostra que a expansão da malha metroviária e ferroviária paulista até aconteceu, mas num ritmo bem abaixo do prometido. Os investimentos em transporte sobre trilhos eram uma das principais apostas do governador para reduzir as emissões de poluentes no estado. Contudo, com os atrasos, a emissão de gás carbônico (CO2) cresceu.

 

"Ampliar a rede de Metrô, trens metropolitanos e corredores de ônibus, dando sequência ao plano Expansão São Paulo" (2010)

 

"Construir novos terminais e novas estações bem como modernizar as existentes, promovendo condições para a dinamização econômica e social no entorno urbano das estações e terminais" (2014)

 

Fora do prazo

 

A malha metroviária de São Paulo foi ampliada nas gestões de Alckmin em 18% e tem, hoje, 80,4 km. Entre 2011 e 2017, a expansão foi de 12,1 km. Nesse período, foram inauguradas 11 estações. Os dados constam em um relatório da Companhia do Metropolitano de São Paulo divulgado em fevereiro. A previsão é de que, até o fim do ano, a expansão da rede chegue a 22 km e sejam inauguradas mais 7 estações.

As obras, no entanto, registraram atrasos em diversas linhas. A estação Oscar Freire, da Linha 4 – Amarela, por exemplo, foi inaugurada somente no último domingo, quatro anos após o prazo inicial. O novo trecho da linha 15 – Prata do Monotrilho, que compreende as estações São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União também sofreu um atraso significativo. Parte das obras deveria ter sido entregue em 2012 e a outra em 2014.

Os contratos envolvendo a modernização do metrô de São Paulo também são alvo de investigações há mais de quatro anos, por suspeita de existência de cartel entre empresas multinacionais com conivência de agentes públicos. Em fevereiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou 12 empresas envolvidas em fraudes em licitações para a construção e instalação da Linha 5 Lilás. Três estações desta mesma linha foram inauguradas em setembro de 2017, com atraso de três anos. Segundo o Ministério Público de São Paulo, além da Linha 5, as obras da Linha 2 também são investigadas por suspeita de pagamento de vantagens indevidas a funcionários públicos.

Procurada, a Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo afirma que o Governo de São Paulo promoveu entre 2011 e abril de 2018 a "maior ampliação da história do metrô". "É preciso ressaltar que muitas vezes obras só não são entregues antes por problemas alheios ao Estado, como empresas que quebraram, licitações que tiveram de ser refeitas ou atrasaram por causa de contestações. O Brasil viveu nos últimos anos a mais profunda recessão da história – o que afetou também as empresas privadas", diz o texto.

A secretaria afirmou ainda que nos casos da estação Oscar Freire e da Linha-17-Ouro o consórcio que venceu a licitação não conseguiu realizar a obra. Já as obras da Linha 15-Prata exigiram desvio e correção do córrego da Mooca após execução do projeto executivo.

 

"Lutar, junto ao governo federal, pela construção do terceiro terminal no Aeroporto de Guarulhos e viabilizar o Expresso Aeroporto, levando o trem metropolitano para Guarulhos" (2010).

 

"Concluir a implantação das conexões dos Aeroportos de Guarulhos e o de Congonhas com o sistema metro-ferroviário da Região Metropolitana de São Paulo" (2014).

 

Fora do prazo

 

O terceiro terminal do Aeroporto de Guarulhos entrou em operação em maio de 2014, um ano e nove meses após o início das obras sob responsabilidade da concessionária GRU Airport. O investimento foi de R$ 2,9 bilhões. Já a Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que liga São Paulo ao aeroporto, só entrou em operação no dia 31 de março deste ano.

Iniciada em 2013, a obra recebeu investimento de R$ 2,3 bilhões e foi entregue 14 anos após ser prometida pela primeira vez. Por enquanto, a linha opera apenas aos sábados e domingos, das 10h às 15h. A previsão é de que a partir de junho funcione regularmente, todos os dias da semana, de 4h à meia-noite.

Procurada, a Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo argumenta que a linha consiste em um projeto novo e totalmente diferente do Expresso Aeroporto, que seria realizado por meio de uma parceria público-privada e deixou de ser atrativo para investidores quando o governo federal anunciou o Trem de Alta Velocidade que atenderia Cumbica. Segundo a secretaria, a começou a ser elaborada em 2012, quando a CPTM contratou os projetos básico e executivo, o que permitiu a licitação e o início das obras no final de 2013.

As obras da estação Congonhas da Linha 17-Ouro do metrô, em monotrilho, com conexão direta com o saguão do Aeroporto de Congonhas, estão em andamento. A expectativa é de que o trecho seja concluído no segundo semestre de 2019. Inicialmente, o primeiro trecho da linha, que inclui a estação, estava previsto para 2014.

 

"Diminuir a emissão de CO2 na atmosfera estimulando principalmente o transporte de carga e de passageiros sobre trilhos" (2010).

 

"Definir as ações para a redução das emissões de CO2 conforme marco legal" (2014).

 

Só na promessa

 

No plano de governo de 2010, Geraldo Alckmin prometia diminuir a emissão de CO2. Entre 2011 e 2016, porém, o número aumentou em três das quatro categorias de contagem de emissão do gás feita pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. Antes de assumir o governo do estado, a emissão por energia, que engloba tudo que é emitido por produção e queima de combustíveis fósseis e geração de energia elétrica (excluindo-se as emissões de metano de reservatórios de hidrelétricas), era de 66 milhões de toneladas em 2009. Em 2016, o número atingiu 82 milhões de toneladas.

Em relação a emissão por meio da Mudança de Uso da Terra e da Floresta — que inclui desmatamento, crescimento de vegetação e calagem de solos agrícolas —, a emissão se manteve estável entre 2009 e 2015, com uma média de emissão de 2 milhões de toneladas, sendo que em 2016, o número saltou para 7 milhões de toneladas.

A emissão por meio dos Processos Industriais foi a única que se manteve estável durante os anos de governo de Alckmin, com emissão, em média, de 7 milhões de toneladas de CO2. Já a emissão por meio de resíduos estava em 56 mil toneladas em 2009 e aumentou progressivamente até 2016, quando ficou em 71 mil toneladas. A contagem dos resíduos engloba tudo o que é depositado em lixões, o metano e o N2O emitidos pelo tratamento de esgotos e o que vai para aterros controlados.

A segunda parte da promessa diz respeito ao incentivo ao transporte de carga e de passageiros sobre trilhos. Somente neste ano, menos de dois meses antes de sair do cargo de governador, Alckmin autorizou a Secretaria de Logística e Transportes, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a contratar um estudo que desenvolverá um novo sistema de transportes para São Paulo. A proposta é de 2013 e promete construir trens regionais em São Paulo para compartilhar a malha ferroviária entre o transporte de cargas e de passageiros.

 

Procurada, a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo ainda não respondeu ao pedido do blog para comentar a checagem.

 

- Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/eissomesmo/post/apos-dois-mandatos-alckmin-entrega-obras-de-mobilidade-com-atraso-e-emissao-de-poluentes-aumenta.html




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