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Monotrilho é alvo de ato no Morumbi

Cerca de 50 moradores do Morumbi, zona sul de São Paulo, protestaram ontem de manhã contra a obra do monotrilho da Linha 17-Ouro do Metrô. O principal argumento do grupo é de que o trem suspenso a 15 metros teria efeito semelhante ao do Minhocão, na região central, e deterioraria o bairro.


“É melhor enobrecer a área deteriorada do que deteriorar uma área nobre”, afirmou o administrador de empresas Yves Jadoul, de 49 anos, um dos manifestantes. O protesto foi marcado por uma rede social e reuniu as comunidades “Moradores do Morumbi” e “Morumbi contra o Monotrilho”, às 11 horas, em frente ao Estádio do Morumbi.


“Queremos o metrô subterrâneo. Precisamos de transporte público de qualidade”, disse Júlia Titz de Rezende, de 66 anos, presidente do Conselho de Segurança Comunitária (Conseg) do Morumbi. Para ela, o monotrilho era uma demanda para a Copa de 2014. “Como o Morumbi não será mais sede da copa, não há necessidade da construção de um transporte inferior”, disse.


Uma das organizadoras do protesto, a diretora comercial Ana Paula Freitas, de 35 anos, alegou que o meio de transporte, com capacidade menor que a do metrô, beneficiaria apenas uma pequena parcela dos moradores da favela de Paraisópolis.

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“Eu quero saber quem é que vai sair da Vila Andrade e descer o ladeirão para pegar o monotrilho em Paraisópolis”, disse Ana Paula. Ela afirma ainda temer que o monotrilho piore a segurança. “Traz tráfico, várias coisas. A gente já está sofrendo com a situação de segurança, o monotrilho só vai piorar essa situação. E outra: e se tem uma briga de torcida lá no alto?”


Na semana passada, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente concedeu a licença para o início das obras.


Para a construção da linha que ligará o bairro ao Jabaquara e ao Aeroporto de Congonhas, 51 imóveis serão desapropriados.


Terrenos em vias residenciais do Morumbi, como a Senador Otávio Mangabeira e a Doutor Flávio Américo Maurano (ao lado da comunidade de Paraisópolis), onde há casas, serão usados na obra do monotrilho. As desapropriações seguem para áreas mais ao norte, na Avenida Jorge João Saad.


Moradora da via, a advogada Maria Costa, de 60 anos, afirma que será uma das pessoas que terá a casa desapropriada. “Aí te pagam 80% do valor, e o resto vira precatório”, disse.

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