A ferrovia Transnordestina pode ter sua questão financeira equacionada nas próximas semanas. Essa é a expectativa do diretor presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), empresário Benjamin Steinbruch, que disse ontem, em entrevista coletiva, que o empreendimento de cerca de US$ 4,5 bilhões é factível do ponto de vista empresarial. “O que viabiliza o transporte ferroviário é a carga cativa”, completa, considerando que existe uma área nobre com potencial para produzir 30 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) na região que vai do sul do Piauí ao norte da Bahia.
Adianta que o primeiro trecho das obras da ferrovia é Missão Velha-Salgueiro. Localizada entre os estados do Ceará e Pernambuco, essa parte tem 100 quilômetros de extensão e está orçada em cerca de US$ 200 mil. Os recursos para a construção dos mil quilômetros da obra toda, em quatro anos, virão do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) e da iniciativa privada. Cada um com US$ 1,5 bilhão.
Para Steinbruch, que ontem à noite recebeu o título de Cidadão Cearense da Assembléia Legislativa, trata-se de um importante projeto estruturante que, junto com a transposição das águas do Rio São Francisco, são projetos que mudariam para sempre a cara (situação sócio-econômica) da Região Nordeste. Depois de declarar que era difícil um projeto como o da Usina Siderúrgica Ceara Steel se viabilizar, o empresário disse, na entrevista coletiva, que poderá investir numa nova siderúrgica no Ceará.
Acrescentou que não é apenas o projeto da Ceara Steel que tem que ser muito competitivo para se viabilizar. “Nas condições brasileiras atuais é muito difícil viabilizar qualquer projeto de investimento”, completou, ressaltando os problemas cambial (valorização do real) e dos juros altos. Ele defende juros reais de 5%, 6% ao ano.
Destacou que ainda se pergunta porque não investiu no projeto da usina siderúrgica do Ceará e explicou que em 1999/2000, quando o tema foi discutido, fatores societários, políticos, econômicos e estruturais o impediram de realizar esse projeto. Adianta que a evolução tecnológica permite hoje conseguir a mesma produtividade e competitividade em projetos menores.
Também considerando a população do Nordeste, de mais de 50 milhões de habitantes, afirma que é possível a construção de uma siderúrgica com produção voltada para o mercado interno. Observando que o Nordeste já tem mercado para isso diz que o processo poderia começar de trás para frente, começando com a distribuição até chegar à produção de aço no fim.
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