As obras de construção do sistema de metrô de Fortaleza devem terminar em 2010. No início do ano que vem, o Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) começa a ser executado. A cidade aguarda mudanças significativas na dinâmica do trânsito, mas não sabe ao certo quando elas vão sair do papel ou do canteiro de obras. Enquanto isso, temos que investir em ações mais imediatas. A superlotação do transporte coletivo em horários de pico é um dos maiores problemas hoje. A integração temporal entre trens, ônibus e vans pode melhorar isso, diz o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), José Ademar Gondim.
A idéia de permitir que o usuário utilize três modalidades de transporte coletivo pagando uma só passagem foi lançada durante o seminário Desafio da Integração Metropolitana – Fortaleza nos Trilhos, que acontece simultaneamente ao II Encontro de Qualidade e Tecnologia do Transporte Público. Os eventos seguem até amanhã em Fortaleza. A ação mais imediata também não tem data para ser efetivada. Temos que ter tempo para estudar e negociar a viabilização. Existe uma dificuldade comercial em montar essa rede, diz Ademar Gondim. A tarifa ainda é a única fonte de lucro das empresas prestadores de serviço de transporte público, está aí a dificuldade comercial.
Além da possibilidade de financiamento do Governo Estadual e Federal, o diretor de planejamento da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Raul De Bonis, presente no seminário, aponta outras fontes de lucro. Em São Paulo, segundo Raul, dois shoppings abertos dentro de estações de metrô renderam R$ 50 milhões no ano passado. Numa cidade francesa, a cobrança de estacionamento também é revertida para o sistema de transporte coletivo. A lógica é cristalina, mas a prática é complicada porque mexe em resultado financeiro, o que não significa que não é possível operacionalizar. É viável e desejável, diz Raul.
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Integrar os diferentes meios de transporte é uma diretriz forte no planejamento defendido pelo Ministério das Cidades. Uma rede única, onde ônibus, vans e trens são meios complementares e não concorrentes, reduz o custo para o usuário, democratizando a mobilidade dentro da cidade. Também evita a sobreposição de linhas e racionaliza a frota. Integração é palavra-chave, confirma Renato Boareto, diretor de mobilidade urbana do Ministério das Cidades que participou do seminário.
O Seminário Fortaleza nos Trilhos faz parte de uma série de seminários realizados pela CBTU nas capitais brasileiras. Antes de Fortaleza, nove cidades já sediaram o evento. As palestras estão disponíveis no site www.cbtu.gov.br. Clique em Eventos-Série, no menu.
A tarifa de ônibus em Fortaleza permanece a mesma há dois anos graças à redução do Imposto Sobre Serviço (IISS), de 4% para 2%, cobrado das empresas e a extinção da taxa de gerenciamento. O valor da passagem é R$ 1,60.
De piratas a transporte alternativo regulamentado, as vans agora fazem parte das estratégias oficiais de melhoria do trânsito. A integração temporal defendida pela Etufor inclui trens, ônibus e vans.
Em junho, um projeto-piloto da Prefeitura instituiu a tarifa integral em 16 linhas dos bairros Barroso II, Boa Vista, Dias Macedo, Jardim União, Passaré, Castelão e Novo Barroso. O usuário pode pegar até três ônibus pagando uma só tarifa. A meta é estender a tarifa integral para toda a cidade ainda este ano. No dia 30 de setembro, mais um trecho será incluído, dessa vez no bairro José Walter.
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