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Japão destrava trem maglev para interligar corredor de US$ 2 trilhões

Valor Econômico – Os planos do Japão para construir uma linha de trem de levitação magnética (maglev) ultrarrápida conectando Tóquio, Nagoia e Osaka deram um passo crucial após a aprovação de um governador local, elevando as expectativas dos setores público e privado para a criação de um gigantesco corredor econômico.

O trem, batizado de Linear Chuo Shinkansen, conectará a estação de Shinagawa, em Tóquio, a Nagoia e, futuramente, a Osaka. Correndo a 500 quilômetros por hora, o sistema reduzirá drasticamente o tempo de viagem. O governador da província de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, aprovou na terça-feira (7) o início das obras no trecho sob sua jurisdição, aproximando a primeira etapa (Tóquio-Nagoia) da fase operacional.

A população somada das regiões metropolitanas de Tóquio, Nagoia e Osaka/Quioto chega a 66 milhões de pessoas e responde por um PIB de 330 trilhões de ienes (cerca de US$ 2,04 trilhões) — os números representam mais da metade do total do Japão. Com a linha maglev, o governo quer criar uma “supermegarregião” para expandir o fluxo de pessoas, mercadorias e negócios.

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Hoje, a viagem mais rápida de Tóquio a Nagoia no trem-bala tradicional leva cerca de 90 minutos, e até Osaka, 2 horas e 20 minutos. A nova linha deve reduzir os deslocamentos para 40 e 67 minutos, respectivamente. Espera-se que a mudança facilite viagens de negócios e parcerias corporativas, impulsionando a produtividade e a inovação. Também há grande expectativa de que o projeto estimule o deslocamento diário de moradores do interior para as capitais e a migração de grandes centros para áreas menos povoadas.

Integração regional

Em termos de segurança nacional, o maglev servirá como alternativa estratégica ao trem-bala atual no caso de um grande desastre natural.

Com o acesso ao centro de Tóquio reduzido para menos de uma hora, os preços dos imóveis residenciais e comerciais perto das novas estações devem subir. Ao mesmo tempo, autoridades alertam para a necessidade de mitigar o chamado “efeito canudo” — quando a melhora no transporte acaba esvaziando cidades menores e concentrando a população nas metrópoles.

“Queremos promover o trem maglev, que atende plenamente à nossa estratégia de crescimento, investimentos de expansão e gestão de crises”, afirmou o ministro das Finanças, Satsuki Katayama, acrescentando que a conclusão da obra atrairá os olhos do mundo para essa zona econômica.

Inicialmente, previa-se a abertura de toda a linha até Osaka para 2037, mas os atrasos no primeiro trecho adiaram o cronograma geral. Enquanto o governador de Shizuoka anunciava seu aval, os governadores de Osaka, Mie e Nara visitaram a sede da operadora Central Japan Railway (JR Central) para pedir que as obras do trecho final comecem em paralelo, acelerando a inauguração total. “Conectar o maglev a Osaka é vital para o crescimento econômico do Japão”, disse o governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura.

O projeto, porém, enfrenta obstáculos. Escavações de um túnel na província de Gifu foram interrompidas após o nível do lençol freático baixar, gerando oposição de moradores. “Ao contrário das ferrovias urbanas ligadas ao desenvolvimento imobiliário, alguns impactos locais do maglev são difíceis de prever”, apontou Hirotaka Yamauchi, professor emérito da Universidade Hitotsubashi. “É um projeto privado, mas de enorme relevância social e competitividade internacional.”

O trecho de Shizuoka, com 8,9 quilômetros, deve ser o mais demorado da primeira fase. Um impasse político de nove anos sob a gestão do ex-governador Heita Kawakatsu — que temia impactos no rio Oi — paralisou o cronograma e inflou os custos. Diante disso, a JR Central abandonou a meta original de inaugurar o trecho em 2027. Com a disparada dos preços de materiais e mão de obra, a estimativa de custo para a rota Tóquio-Nagoia dobrou, atingindo 11 trilhões de ienes (cerca de US$ 68 bilhões).

A primeira fase incluirá novas estações em cidades menores. Com o tempo de viagem encurtado, a expectativa de revitalização dessas áreas é alta, impulsionada pelo trabalho remoto: profissionais poderão morar no interior e ir a Tóquio apenas quando necessário. Centros industriais perto das futuras estações já registraram alta de 3,7% no preço das terras. O turismo também deve ganhar força, facilitando o acesso a regiões fora do eixo tradicional, com projetos de novas rodovias para ligar o maglev a estâncias hidrominerais isoladas, como Gero Onsen, considerada uma das três fontes mais famosas do Japão.

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