Valor Econômico – A Moody’s rebaixou, nesta sexta-feira (17), o rating corporativo da Rumo de “Ba2” para “Ba3”, após ter cortado a nota da Cosan, que controla a operadora logística. A perspectiva para o rating, que estava sob revisão, passou a ser negativa.
A agência de classificação de risco afirma que o rebaixamento da Cosan se baseou na ainda fraca cobertura de juros no nível da holding e também em um perfil financeiro que depende de dividendos e monetização de ativos para se sustentar.
“A Rumo não oferece garantias diretas às dívidas da Cosan, mas acreditamos que ela seja um ativo estratégico para a holding, uma de suas fontes de dividendos e claramente percebida como parte do grupo Cosan, compartilhando riscos reputacionais”, diz a Moody’s.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Para além do vínculo com a Cosan, a instituição reconhece que a Rumo é a maior operadora logística do país, com acesso a recursos no mercado de capitais e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A classificação de risco incorpora uma posição adequada de liquidez e acesso a fontes de financiamento para sustentar seus investimentos em expansão, ao mesmo tempo em que mitiga a perspectiva de fluxo de caixa livre [FCF, na sigla em inglês] negativo”, acrescenta a Moody’s.
A nota da Rumo é limitada pela exposição expressiva da companhia ao mercado de commodities agrícolas, a dinâmicas competitivas e a um volume concentrado de grandes clientes do agronegócio. Isso apesar de a companhia ser capaz de mitigar esses fatores com o modelo de contrato “take-or-pay”, que garante uma receita mínima à empresa, aponta a agência de classificação de risco.
Além disso, a companhia tem um grande planejamento de investimentos a ser executado, o que implica necessariamente riscos. A gestão da Rumo, entretanto, se provou capaz de adequadamente alocar capital ao longo dos últimos anos, avalia a Moody’s.
“A perspectiva negativa reflete a perspectiva negativa da Cosan e os riscos associados ao refinanciamento dos títulos da Rumo com vencimento em 2028, apesar da adequada posição de liquidez da companhia e de sua alavancagem controlada, que ajudam a mitigar os riscos decorrentes de seu amplo programa de investimentos nos próximos 12 a 18 meses”, completa.
Na semana passada, a Rumo já havia tido o rating rebaixado pela S&P global, que também destacou riscos envolvendo a deterioração da qualidade de crédito da Cosan.
Seja o primeiro a comentar