O Consórcio Via Amarela divulgará um novo laudo nos próximos dias sobre a cratera da linha 4-amarela do metrô de São Paulo que vai apontar algumas características desconhecidas da geologia na estação Pinheiros como fator determinante para a abertura do buraco no dia 12 de janeiro de 2007.
As construtoras pretendem dividir essa responsabilidade com equipes do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) -que fez um estudo geológico na área nos anos 90 cujos resultados ajudaram a embasar a elaboração do projeto da obra.
O instituto concluiu na sexta-feira sua investigação, ao custo de R$ 6,55 milhões pagos pelo Metrô, citando 11 fatores para a tragédia, principalmente a cargo das empreiteiras da linha 4 -além de apontar a fiscalização deficiente da estatal.
A Folha conversou ontem, com a condição de não revelar os nomes, com dois dos cinco técnicos contratados pelo Via Amarela para a conclusão do laudo oficial do consórcio. Um dos líderes da equipe disse que a origem do problema foi a geologia diferente da que estava sendo esperada e que isso será visto em breve, quando eles divulgarem um desenho de como as equipes do IPT imaginavam a geologia na última década e como ela é de verdade.
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O relatório técnico que será divulgado pelo Via Amarela será a versão oficial das construtoras para a abertura da cratera, que deixou sete mortos.
O consórcio, formado por Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Alstom, também já divulgou, no fim de março, um laudo pago por ele, mas que considera independente, a cargo do britânico Nick Barton. A versão das empreiteiras terá algumas diferenças em relação à de Barton, que atribuiu a tragédia a uma fatalidade causada por uma rocha gigante, mas não deve contradizê-la.
Ela vai citar que a interpretação geológica feita pelo IPT nos anos 90 não apontava a descontinuidade e os pontos de fraqueza da rocha que acabaram identificados depois. Dessa forma, por essa versão, os cálculos que determinaram o arqueamento do túnel (sustentação da estrutura em forma de arco) estavam incorretos. A conseqüência foi a sobrecarga do maciço, que levou ao desabamento.
Além da participação do instituto no estudo geológico da linha 4, um dos consultores das empresas questiona a ausência de uma causa determinante no laudo do IPT, um gatilho que teria levado ao buraco.
Ele também contestou a informação de que houve aceleração da obra em 70% em janeiro de 2007 em relação a dezembro de 2006. Alega que a velocidade foi igual nos dois meses, equivalente à de um rebaixo -nível de escavação- por dia. A diferença, diz, é que em dezembro havia outras tarefas e, por isso, não foi feito esse trabalho em alguns dias. Outro consultor do consórcio diz que a estrutura do túnel era reforçada e que os preços dos materiais citados pelo IPT como ausentes ou em número insuficiente são insignificantes perto do custo da obra.
Roberto Kochen, ligado ao Instituto de Engenharia e que já prestou consultoria ao Via Amarela, avalia que, pelo vídeo do laudo do IPT, a investigação listou uma série de fatores que mais parecem problemas de contrato do que causas do acidente. Houve um certo exagero por parte do IPT. O presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural, José Roberto Braguim, considerou que o IPT acertou ao apontar uma soma de fatores. Não há como isolar um fator. Uma falha isolada geralmente não é capaz de levar a um colapso.
A Folha não conseguiu contato ontem com o IPT.
Metrô diz que tipo de contrato não afetou obra
Em carta enviada à Folha, o Metrô de São Paulo informou que o relatório do IPT sobre o acidente na linha 4 afirma que a tragédia não aconteceu por conta do modelo de contrato turn key (chave na mão, numa tradução livre, por fixar um preço fechado e dar maior autonomia às empreiteiras).
Tipos de contrato não podem ser responsabilizados por sucessos ou insucessos de obras.
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