Em meio ao festival de banalidades e obviedades eleitorais, Soninha lançou a primeira proposta de fato ousada na campanha à Prefeitura de São Paulo: o pedágio urbano. Não sei se ela teria coragem de defender a idéia se sua candidatura tivesse um mínimo de favoritismo –mas o fato é que o pedágio urbano, impopular, especialmente na classe média, é uma das medidas que podem aliviar o caos do trânsito.
Já existe na prática o pedágio, mas disfarçado. O pedágio ocorre, por exemplo, na cobrança cada vez mais proibitiva dos estacionamentos privado ou no custo a mais de combustível por causa dos congestionamentos. E só tende a piorar.
A proposta de Soninha faz sentido e não é nada elitista. O pagamento do pedágio pelo motorista serviria para aumentar os recursos destinados ao transporte público, especialmente o metrô.
Técnicos sabem que, mais cedo ou mais tarde, esse tipo de medida terá de ser implantada, porque não existe dinheiro para aumentar o espaço para carros. Só o fato de um candidato, mesmo que com poucas chances eleitorais, assumir o desgaste do pedágio urbano, é um avanço no debate sobre as soluções para a cidade de São Paulo.
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