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Trem no Rio é mais caro do que o argentino

Se nos gramados a disputa é acirrada, quando se trata de passagens de trem mais baratas nossos hermanos argentinos nos ganham de goleada. Essa é uma das conclusões de um estudo do antropólogo Lênin Pires que, após radiografar o cotidiano dos trens suburbanos do Rio por dois anos, fez as malas rumo a Buenos Aires, onde estudou o sistema ferroviário local de agosto de 2007 a fevereiro deste ano. Lá, as passagens variam de 0,60 peso – o equivalente a R$ 0,32 – a 1,85 peso, ou R$ 0,98. Por aqui, a tarifa é uma só: R$ 2,20.


“Quanto menos se desloca, menos se paga”, explica Lênin Pires, que faz parte do Núcleo Fluminense de Pesquisas da Universidade Federal Fluminense (UFF).


Ele explica que, mesmo após a privatização, as passagens são subsidiadas pelo governo argentino, motivo pelo qual são mais baratas. Além disso, de acordo com o contrato de concessão, caberia ao governo a compra de equipamentos e peças para a manutenção. Outra diferença é que, enquanto em terras fluminenses apenas uma concessionária explora os trens no estado, em Buenos Aires quatro empresas são responsáveis pela administração dos transportes ferroviários.


“O objetivo era fazer uma pequena comparação entre os dois sistemas. Fui para Buenos Aires com o interesse de comparar a situação dos ambulantes e me deparei com outro quadro. O sistema ferroviário é mais importante do que aqui”, diz o antropólogo.

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Na capital argentina, a linha de trem vai mais longe, atendendo a Buenos Aires e províncias. Todos os dias, pelo menos dois milhões de pessoas chegam à cidade pelos trilhos. Grandes e pequenos terminais ferroviários estão conectados pelos serviços de metrô.


Bilhete único depende de mais estudos


No estado do Rio, desde 1998, o número de passageiros de trens passou de 45 mil para 500 mil por dia. Desse grupo, segundo a Supervia, 1% pertence à classe A e 80% estão nas classes B e C. São 225 quilômetros de linha férrea, 89 estações e cinco ramais, passando por 11 municípios.


A empresa alega que cobra uma passagem ainda menor do que os R$ 2,47 autorizados pela Agência Reguladora de Serviços Concedidos de Transportes (Agetransp) e que não conta com subsídios. O que pesa mais em seus custos operacionais é a energia elétrica.


O bilhete único, que seria uma forma de amenizar os gastos da população fluminense com transportes no estado, ainda depende de estudos e cálculos para sair do papel.


Segundo o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, o projeto, que já é realidade na cidade de São Paulo, prevê descontos de 35% a 40% na tarifa do segundo meio de transporte usado pelo passageiro num intervalo de duas horas. Ou seja, a pessoa que saísse da Central do Brasil e pegasse um ônibus, desembolsaria menos por essa passagem.


“Nós tivemos uma reunião na segunda-feira (30) com a secretaria de Fazenda e foram feitas solicitações de mais estudos para avaliar os custos, de como será paga essa gratuidade”, explica o secretário sobre o encontro de mais de quatro horas, que contou com a presença do secretário estadual de Fazenda, Joaquim Levy, e da empresa que implantou o bilhete único em São Paulo.


O objetivo é lançar o projeto em 2009. A pedra no caminho é justamente definir como as empresas serão compensadas por esses descontos: a idéia é que sejam concedidos benefícios fiscais por parte do estado.


“Com isso queremos trazer para a legalidade 2,4 milhões de passageiros que hoje usam o transporte irregular”, diz Júlio Lopes.


Serviço é pior para os mais pobres


Nas terras portenhas, no entanto, mesmo com o alívio no bolso, nem tudo são flores: nas áreas mais carentes, ao sul da cidade, a qualidade do serviço cai, afirma o antropólogo Lênin Pires. Enquanto os trens que circulam ao norte são mais novos, nas outras áreas as empresas brindam o público com atrasos e composições em mal estado.


“Segundo levantamentos que fiz, nas diferentes linhas havia registro

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Fonte: G1 (RJ)

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