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Vale expande produção de minério

A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) vai acrescentar, a partir da próxima semana, mais dez milhões de toneladas de minério de ferro à sua produção anual em Minas Gerais, que no momento já ultrapassa 200 milhões de toneladas. Como o produto é vendido a US$ 80 por tonelada no porto de Vitória (ES), a expansão resultará em elevação da receita da companhia em mais US$ 800 milhões a cada ano.


Na verdade, a alta será ainda maior, pois 30 dias depois, na segunda quinzena de setembro, entrará em operação uma fábrica de pelotas de minério, também de propriedade da companhia e localizada no município vizinho de Nova Lima. Essa unidade industrial vai produzir 7,5 milhões de toneladas de pelotas com o minério de Itabirito e será exportada por US$160 por tonelada, que é o dobro do preço do minério granulado. Minas Gerais responde por aproximadamente 65% do minério de ferro brasileiro que é exportado.


Essas expansões foram anunciadas pelo engenheiro Silmar Silva, que é o responsável pela área de produção de minério de ferro da empresa em Minas. Mas nada se compara ao projeto Apolo, que consistirá na construção de uma mina gigantesca com capacidade de produção de 24 milhões de toneladas e que será localizada nos municípios de Caeté e Santa Bárbara. O investimento previsto é de US$ 2,2 bilhões e a mina entrará em operação dentro de 30 meses, aproximadamente. “Temos de aproveitar todas as oportunidades, pois o mercado nunca esteve tão bom”, declarou.


A mina de Apolo, é a nova denominação do conjunto das jazidas de Maquiné e Baú e será semelhante à de Brucutu. Provavelmente usará o mesmo projeto de engenharia desta mina, que foi construída em apenas 24 meses e com capacidade de produzir 30 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, já no início de atividades. Dirigentes das maiores siderúrgicas do planeta foram ao pequeno município de São Gonçalo do Rio Abaixo, a 100 quilômetros a leste da capital mineira, para assistir sua inauguração, realizada em outubro de 2006.

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Brucutu custou US$1,1 bilhão, investimento que provavelmente se pagou em apenas 18 meses de operação, por conta de sucessivos aumentos do preço do minério que, no período, passou de menos US$40 para US$80 por tonelada. O empreendimento causou verdadeira revolução econômica na região, já que todo o dinheiro foi aplicado em curto período. Contratado pela mineradora para realizar estudos sobre o impacto social do empreendimento na região, o ex-ministro da Fazenda Paulo Haddad disse na época que, além de todos os recursos da obra, seriam levados para a região uma massa salarial de R$ 4,3 milhões mensais e compras anuais com fornecedores da região no valor de R$ 63 milhões.


Esse será o impacto que deverá causar a construção da mina de Apolo. Segundo Silmar Silva, o projeto será encaminhado já a partir de setembro para a avaliação da diretoria nacional da empresa, no Rio de Janeiro e a expectativa é de que tudo esteja autorizado no início do próximo ano. A empresa já se prepara para os investimentos, sobretudo com a compra antecipada de equipamentos não somente para seu uso mas, sobretudo para fornecedores e empreiteiros.


As compras da empresa são tão pesadas que recentemente a mineradora levou o presidente da Volvo no Brasil, Tommy Svensson para acompanhar a entrega de 104 caminhões da sua marca, com cinco eixos, tração em dois deles e capacidade para transportar 50 toneladas. O lote foi adquirido por R$ 110 milhões. O dirigente da montadora informou que haveria outras encomendas e ficou impressionado com o uso intensivo dos veículos, cuja operação seria tão severa – 24 horas por dia os sete dias da semana – que a vida útil do caminhão seria reduzida a três anos. Também está prevista uma multa, caso o veículo opere em menos de 92% do tempo.


Esse é o cenário previsto para se repetir nas cidades de Caeté e Santa Bárbara, que receberão a mina de Apolo e que são vizinhas de São Gonçalo do Rio Abaixo. Mas o seu investimento será de US$ 2,2 bilhões, o dobro de Brucutu e será aplicado nos mesmos 24 meses. A Vale também concluiu o projeto conceitual da mina de Serpetina, em Conceição do Mato Dentro.


A produção poderá ser superior a 30 milhões de toneladas por ano mas, no caso, será necessário a construção de um minerioduto, com mais de 400 quilômetros de extensão, para levar a produção ao porto de Vitória. As jazidas estão distantes da ferrovia Vitória-Minas. As obras serão iniciadas 12 meses depois de Apolo. O dirigente informou que a Vale continuará adquirindo minério para completar a demanda dos importadores.



 

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Fonte: Gazeta Mercantil

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