No início do mês passado, São Paulo atingiu o recorde de 229 km de congestionamento nos 835 km de ruas e avenidas monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No Rio de Janeiro, a velocidade média no túnel Zuzu Angel, na Zona Sul, era de 89 km/h entre 7h e 8h em 1997. Hoje é de 20 km/h. A dificuldade de deslocamento irrita paulistanos, cariocas e até mesmo moradores de cidades médias. Mais que isso, porém, é grande o desperdício de recursos e a limitação imposta aos negócios. O jornal Folha de S.Paulo cunhou a expressão “custo São Paulo” em referência ao que os cidadãos e empresas têm de desembolsar a mais para viver e trabalhar na cidade.
O economista Marcos Cintra, vice-presidente da Fundação Getúlio, Vargas (FGV), calcula o prejuízo provocado pelos congestionamentos em R$ 33.5 bilhões. A maior parte disso, R$ 27 bilhões, refere-se às horas de trabalho perdidas dentro de carros e ônibus que se deslocam lentamente. O gasto adicional de combustível é responsável por outros R$ 4,15 bilhões. O excesso de tráfego piora a qualidade do ar – que vinha melhorando com a instalação de catalisadores nos carros – e resulta em gastos extras de R$ 406 milhões em saúde pública. As empresas têm de desembolsar R$ 1,95 bilhão a mais com o transporte de cargas. No caso da indústria a fatura adicional para fazer frente aos problemas de logística na capital paulista é de R$ 460 milhões.
Motorista com ajudante
A Souza Cruz implantou há.oito anos um novo sistema de entrega para driblar os problemas de tráfego, contratando assistentes para os motoristas. Eles descem do veículo com a mercadoria e cuidam dos procedimentos da entrega, enquanto o motorista dá voltas no quarteirão com o veículo. A tática vale a pena, mas não sai de graça para a empresa, pelo aumento dos gastos com mão-de-obra e combustível, nem para as ruas, pelo aumento da circulação de veículos. Nos últimos meses, com o aumento da lentidão, o sistema tem se mostrado menos eficiente do que era no início. “Nossa produtividade de entrega está sendo impactada em aproximadamente 8% pelos engarrafamentos”, conta o gerente de projetos da Souza Cruz; Eduardo Magalhães.
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O Centro de Estudos em Logística do Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez estudos sobre os congestionamentos que permitem estimativa de Impacto em toda a economia do País. Segundo um dos pesquisadores envolvidos, o engenheiro Maurício Lima, o transporte de carga no Brasil em 2006 mobilizou R$ 155,7 bilhões, dos quais R$ 129 bilhões se devem à parte rodoviária, o que representa 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Se todos os caminhões da frota brasileira passassem duas horas presos num engarrafamento em cada rota de 400 a 500 km, diz Lima, o custo Seria de R$ 12,9 bilhões (10% dos R$ 129 bilhões). Ele utilizou o meado que considera o custo do diesel e a velocidade média do veículo.Segundo Lima, o impacto dos – congestionamentos é ainda maior em rotas curtas nos perímetros urbanos. Num trajeto de 50 km, o frete de uma carreta fica 470/0 mais caro se o caminhão permanecer parado três horas no dia. A conta inclui o custo fixo de um caminhão de grande porte: salário do motorista, depreciação do veículo e taxa de oportunidade do capital mobilizado. “Ao ficar parado, o caminhão deixa de produzir. E há um capital mobilizado no veículo”, explica.
Considerando a situação da capital paulista, Lima afirma que um caminhão parado numa rua engarrafada custa R$ 31 por hora, A frota paulistana tem 159.496 caminhões registrados. Se cada um destes veículos perder em média uma hora diariamente no trânsito em 25 dias úteis no mês, o “custo é de R$ 124 milhões. O pesquisador nota que o fato de a logística brasileira ser focada no modal rodoviário contribui para os congestionamentos. Quase 56,50/0 da carga no País é transportada por estradas, sendo apenas 25,8% por ferrovias. Comparando aos Estados Unidos, a diferença é grande, 29,6% em rodovias e 38,5% em ferrovias
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