O engenheiro do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), Geraldo Lourenço, coordenador-geral de infra-estrutura ferroviária do órgão, inspecionou ontem o quilômetro 65 da BR-392, em Pelotas, onde aconteceu, no último domingo, o choque entre um caminhão e um trem da América Latina Logística (ALL), vitimando duas pessoas.
A nota técnica será divulgada até a próxima terça-feira, mas o engenheiro adiantou que a melhor solução é a construção de dois elevados, já que a rodovia será duplicada, para que os veículos possam passar sobre os trilhos com segurança. O deputado Cláudio Diaz acompanhou a averiguação. Ele teve seu carro atingido por um trem no mesmo local em agosto do ano passado, concorda com a proposta, uma vez que o terreno é muito alagado. O engenheiro informa que a construção ocorrerá junto com as obras de duplicação da BR-392 naquele trecho.
Mas, até lá, a solução seria a colocação de uma cancela eletrônica para minimizar os riscos de acidentes. O engenheiro do Dnit avaliou, no entanto, que essa intervenção, apesar de garantir mais segurança, não é a solução mais adequada. A cancela causaria transtornos a longo prazo em razão do grande fluxo de veículos e também porque a ferrovia é muito utilizada, declara. Segundo ele, trata-se de uma das passagens mais perigosas do País em razão do trânsito intenso, que pelo horário, 10h, ele considerou impressionante.
Vladmir Casa, também engenheiro do Dnit, diz que o departamento aguarda apenas a liberação do governo federal para iniciar as obras de duplicação da 392 entre Rio Grande e Pelotas. Ele explica que o trecho onde se encontra o cruzamento entre a ferrovia e a rodovia em questão ainda não foi licitado, o que deverá acontecer dentro dos próximos 15 dias. O departamento irá lançar edital para licitar o projeto do chamado Lote 1 – que consiste no contorno de Pelotas até a Ponte do Retiro. Somente depois de concluir esta etapa é que os dois viadutos previstos serão construídos. Até lá, o Dnit irá trabalhar em algo preventivo, na tentativa de reduzir o número de acidentes naquele quilômetro da rodovia, declara. A previsão é que esta etapa seja concluída em janeiro de 2009. Ele lembra que apenas o trecho entre Rio Grande e Pelotas já dispõe de contrato assinado.
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Faixas Reflexivas
O deputado federal informou que ontem recebeu a resposta do procurador do Ministério Público Federal (MPF), representante da região de Pelotas, Mauro Cichowski dos Santos, sobre a notícia de que o MPF teria exigido que a América Latina Logística (ALL) colocasse faixas reflexivas nas laterais dos vagões. O procurador respondeu que na verdade a própria ALL teria começado a colocar espontaneamente as faixas, mas desistiu após constatar que, com o trem em movimento, elas acabavam sendo cobertas pelo pó e pela fuligem, tornando-se inócuas. Entretanto, adiantou, que em razão dos novos acidentes, em conjunto com o MPF do Rio Grande, pedirá reforço na sinalização dos vários cruzamentos.
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