O terceiro maior fundo de pensão brasileiro em ativos, a Fundação dos Economiários Federais (Funcef), quer investir até R$ 700 milhões em infra-estrutura. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o presidente da entidade fechada de previdência complementar, Guilherme de Lacerda, diz que a meta é elevar os investimentos em renda variável, de cerca de 20% do patrimônio de R$ 23 billhões, para algo em torno de 24% – incluindo as participações em empresas e imóveis, esse percentual pode chegar a 30%.
Embora esteja se desfazendo de complicadas participações imobiliárias, a Funcef pretende manter o investimento no setor, entre 7% ou 8% do patrimônio. Atento às oportunidades em diversas regiões no Brasil, o alvo do fundo são médios e grandes empreendimentos, nos quais possa interferir na gestão. O presidente da Funcef também fala sobre as aplicações antigas e problemáticas que a fundação tenta solucionar e que teriam acarretado um prejuízo aproximado de R$ 2,5 bilhões.
Lacerda lamenta que a disputa societária entre os fundos de pensão e o Grupo Opportunity tenha ganhado dimensão nacional e venha prejudicando a imagem do Brasil no exterior. É preciso esclarecer à sociedade que o fundo de pensão não pode mais ser tratado como investidor de segunda categoria. Ele é muito querido na hora da aplicação e depois, na gestão do recurso, é desconsiderado.
Jornal do Commercio – Como o senhor avalia o status da previdência complementar fechada hoje, após tantos episódios envolvendo operações irregulares por parte dos fundos de pensão no Brasil?
Guilherme Lacerda – O setor está em um momento muito alvissareiro. A regulação evoluiu a partir das Leis Complementares números 108 e 109 e o padrão de governança dos fundos melhorou muito. De 2003 para cá, a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) tem atuado de forma muito intensa, definindo uma legislação mais detalhada a partir da lei maior.
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E com a crise política, os fundos de pensão no Brasil passaram por mais um desafio de imagem. Nós, junto com os maiores fundos – como Previ (do Banco do Brasil) e Petros (da Petrobras) – estivemos por várias vezes no Congresso Nacional e na própria Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para prestar esclarecimentos à sociedade. Na nossa avaliação, saímos fortalecidos porque ficou provado que a gestão dos fundos é profissional e não tem desvios.
JC – Qual a avaliação do setor sobre o relatório do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que revelou existirem indícios de irregularidades nas operações das fundações?
Guilherme Lacerda – Discordamos profundamente. Foi um relatório pífio, mal feito e parcial. Apesar das deficiências do relatório, as recomendações de se criar uma agência regulatória e de aprimorar a fiscalização do setor já vinham sendo trabalhadas antes. A criação da agência, inclusive, foi derrubada pelo próprio PFL no Senado. Está na hora de a sociedade brasileira passar a olhar para os fundos de pensão como investidores importantes da economia e como atores essenciais na organização da sociedade, a exemplo de outros países.
No Brasil, como a origem dos fundos de pensão foi vinculada a empresas estatais e aos benefícios fiscais, eles têm sido associados a privilégios, o que é um profundo equívoco. Em uma sociedade em que a maioria da população, cerca de 40 milhões, sequer tem previdência pública, a previdência complementar passou a ser vista de maneira distorcida.
JC – Mas a imagem negativa do setor não é só resquício de um passado distante. Em 1999, por exemplo, a CPI dos Fundos de Pensão revelou desvios bilionários, inclusive na própria Funcef.
Guilherme Lacerda – Sim. Nos anos 80 e 90, os fundos de pensão foram trazidos para as páginas policiais e políticas por constatações de operações mal feitas, malsucedidas, irregulares
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