A falta de uma política do atual governo para o setor ferroviário foi alvo ontem de críticas por parte do senador Marco Maciel (PFL), para quem não se pode pensar no desenvolvimento do País sem levar em consideração a necessidade de investimentos na malha ferroviária nacional e sua interligação com outros modais de transporte. “O atual governo federal, que pouca importância dá a setor, anuncia agora que pretende iniciar a Transnordestina, ferrovia sonhada desde o Brasil Império. Mas, é bom registrar, não aloca os recursos indispensáveis para a sua construção”, destacou o senador.
Marco Maciel citou fatos históricos do Estado e contou que, à época em que foi governador de Pernambuco, apresentou projeto para execução da obra, então chamada de ferrovia Sertaneja, e chegou a construir uma ferrovia com recursos estaduais, ligando o Porto de Suape à ferrovia federal, a EF-101. “Além disso, viabilizei junto ao governo federal a construção do Metrorec, o metrô de superfície da região metropolitana do Recife, que opera desde 192, cujas obras de ampliação, pelas quais tanto luto desde os tempos em que exercia as funções de vice-presidente da República, encontram-se atrasadas pelo desinteresse do atual chefe do Poder Executivo Federal”, disse.
O senador lembrou que, durante mais de um século, as ferrovias foram o principal meio de transporte do País, e que, apesar dos avanços tecnológicos, elas ainda são a alternativa mais adequada para certas cargas de grande densidade. Ele disse lamentar que, embora o Brasil conte com o maior sistema ferroviário da América Latina, 30 mil quilômetros, não explore adequadamente seu potencial e não se furtou a uma análise comparativa das ações empreendidas pelo atual governo e seu antecessor: “Noventa e cinco por cento de nosso sistema ferroviário foram concedidos à iniciativa privada em 1996, ao tempo em que governava o País o presidente Fernando Henrique Cardoso. Essa medida nos permitiu fazer retomar os investimentos ao setor ferroviário, que, relegado a um segundo plano, estava sendo sucateado. Assim, enquanto de 1994 a 1996, o prejuízo acumulado somente com a RFFSA foi de R$ 2,2 bilhões, de 1997 a 2005 o sistema ferroviário recolheu aos cofres públicos o montante de R$ 5,6 bilhões e os investimentos aumentaram em cerca de R$ 9,5 bilhões, a carga movimentada, em 55%, a utilidade por quilômetro útil, em 62%, com destaque para o agronegócio, e foram criados cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos.”
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