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Rondônia: terra de muro baixo

É irônico, porém, esta é a realidade e a verdade crua e nua.  A frase que intitula este artigo, assemelha-se a todos quantos que aqui aportam e, de maneira fácil e nem sempre normal – conseguem divisionar algo que sempre vem a beneficiá-los e, na maioria das vezes chegam até às raias do grotesco. O muro baixo fica por conta das facilidades que quase sempre lhes são oferecido – pelo fato da enorme hospitalidade que lhes são atribuídas – contudo – usam e abusam de tais benéficos, muitos em pouco tempo alardeiam pelos quatro cantos do estado se intitulando “pioneiros de Rondônia”.


Que tal me reportar aos dignos responsáveis pela administração de Porto Velho – mui em especial ao trato com memoráveis patrimônio – a exemplo ao de maior importância?


A bola da vez, fica por conta das “obras” que se desencadeiam no pátio da Madeira Mamoré. Esta que é a nossa identidade, o inicio de toda nossa história – a razão para todos quantos aqui nasceram – além de muitos outros que para cá vieram e trabalharam na construção da memorável obra.


Fiquei estarrecido ao presenciar a destruição – abrupta e sem dor e sem piedade de todo memorável Patrimônio Histórico da lendária ferrovia – por conta de desmanchos dos armazéns e outras localidades – segundo os dirigentes da obra, o processo se desencadeia para dar lugar ao surgimento de restaurantes e similares. Significa dizer que: documentário – que dignifica e identifica a nossa presença neste rincão pátrio – como restos da nossa ferrovia – para nada mais servem.

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Já não bastasse a grande quantidade de litorinas e calamazús que foram arremessadas ao rio madeira – no final do funcionamento da ferrovia – agora é a vez da destruição brutal do que resta. As peças, rodantes, trens, documentos fotográficos e outros, encontram-se jogados às margens da estrada – e isto se verifica em muitos lugares, atirados pelos criminosos dilapidadores do memorável patrimônio histórico. Daqui a alguns dias, os trilhos serão arrancados e doados entre eles mesmos – os criminosos do Patrimônio Histórico.


Quer nos parecer que o sonho acabou – a esperança de ver a restauração da Madeira Madeira, está ficando cada vez mais longe – como distante está a capacidade dos homens para nortear a restauração da nossa ferrovia. Faltavam recursos – dizem que não é mais problema – agora, ao iniciar o que chamam de recuperação – destroem sem dó e sem piedade o que foi construído com a morte de milhares de ferroviários – igualando cada vida à um dormente deitado no leito da memorável Madeira.


Pelo amor de Deus, senhores intelectuais e capacitados administradores – não permitam que tudo isto aconteça. Vossos filhos – que aqui nasceram – no futuro cobrarão sem piedade. Ainda há tempo para fazer história. Se é que assim intensionam. A consciência, a capacidade e a boa ação devem nortear vossos intentos, mas, acima de tudo o bom senso. Preservar e não dilapidar.


Elvestre Lyman Johnson é jornalista

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Fonte: O Observador (RO)

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