O metrô de Belo Horizonte se transforma na primeira polêmica da campanha para a Prefeitura de Belo Horizonte. No mesmo dia em que o candidato do PSB, Márcio Lacerda, visitou a superintendência da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) alfinetou: “eu andei de metrô e vou andar de novo. Só assim dá para ouvir a população sobre os problemas”. Perguntado sobre as declarações de Quintão, Lacerda devolveu: “Também já andei de metrô. Levei as crianças num fim de semana, um tempo atrás, e, quando tinha o trem metropolitano para Sabará, os levei também para conhecer. Mas não é algo assim tão importante. O mais relevante é saber que a linha 1 do metrô é muito antiga para os padrões e que é possível aumentar a capacidade de tráfego com a substituição dos trens”. Segundo Lacerda, isso foi há cerca de 10 anos, quando os filhos eram adolescentes.
Hoje, quem vai andar de metrô é o ex-deputado federal Sérgio Miranda (PDT), que também aproveitou para criticar Lacerda. “O mote do candidato oficial, do prefeito Fernando Pimentel e do governador Aécio Neves é de que só com bom relacionamento entre governador e prefeito é possível tocar obras importantes. Aécio está há quase seis anos, o governo federal também é do PT e nem por isso o metrô foi concluído. É um ótimo exemplo para desgastar este mote de campanha”, diz. Leonardo Quintão faz coro: “Mesmo sendo da oposição ao governo Lula, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) conseguiram dinheiro para o metrô, assim como o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito César Maia (DEM), no Rio. Pelo jeito, o prefeito Fernando Pimentel não se empenhou o suficiente”, disse o deputado, tentando evitar criticar Aécio: “O principal empenho deve vir do prefeito”.
Parcerias
Lacerda defende o modelo de parceria público-privada (PPP), que já está em estudo pelos governos federal e estadual, para a conclusão da linha 1 e para instalação das linhas 2 e 3. “Na medida em que o governo federal não tem condições de aportar o volume de negócios necessários para manter o metrô, a PPP passa a ser uma alternativa. O que não podemos é ficar paralisados, com uma linha transportando só 106 mil passageiros por dia”, argumenta. Para Miranda, a iniciativa privada pode até ajudar na administração, mas o principal recurso deve ser público.
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A deputada federal Jô Moraes (PCdoB) evitou entrar na polêmica, afirmando apenas que tem costume de pegar o metrô quando visita o Bairro Industrial, onde já morou. Aproveitou, contudo, para reforçar o perfil popular, ao falar sobre as regras que proibiram outdoor e showmícios. “As novas regras exigem o corpo-a-corpo, portanto, quem tem mais convivência com o povo leva vantagens”, lembrou.
A CBTU divulgou na quinta-feira que está à disposição de todos os candidatos à prefeitura e à Câmara Municipal para esclarecer qualquer dúvida sobre o metrô de BH. Segundo a assessoria de comunicação, a decisão não se deve a críticas dos adversários de Lacerda de que estaria sendo privilegiado nas relações com os órgãos públicos municipais, estaduais e federais. De acordo com a superintendência, está havendo uma grande procura por informações, principalmente de candidatos a vereador.
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