Folha de S. Paulo – As negociações do empresário Rubens Ometto com Perfin e BTG duraram dois meses, prazo para que houvesse injeção de dinheiro rápido no negócio diante de problemas decorrentes do endividamento na Cosan, gigante do setor de distribuição de combustíveis, bioenergia e logística.
Essa necessidade não foi considerada pela família Feffer, dona da Suzano, nem pela Votorantim, motivo que as retirou do negócio, segundo duas pessoas que participaram diretamente das negociações e falaram com o Painel S.A. sob condição de anonimato.
Segundo ambas, a agilidade somada ao ‘valor do cheque’ oferecido (R$ 10 bilhões) e as condições de governança que permitiriam a permanência de Rubens Ometto, dono da Cosan, no controle do grupo, foram decisivos para a escolha da gestora de ativos de infraestrutura Perfin e do banco BTG Pactual.
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Segundo relatos, Ometto pretende permanecer no controle da companhia por seis anos, tempo para que seja iniciado um processo de sucessão.
Além da família Feffer e da Votorantim, também participaram das negociações fundos de pensão canadenses e japoneses, mas todos desistiram rapidamente diante da volatilidade (altas e baixas nas ações) oferecida pela Cosan e o que isso traria para seus relatórios.
Pelo acordo, BTG e Perfin serão sócios em uma nova companhia que terá como sócio a holding Aguassanta, empresa da família Ometto hoje dona de 30% das ações da Cosan –e do controle.
Para isso, a Aguassanta fará uma oferta de ações a R$ 5 cada, abaixo do preço de mercado, que hoje está valendo R$ 6,30. Em valores, o BTG colocará R$ 4,5 bilhões no negócio, a Perfin, outros R$ 2 bilhões, e a Aguassanta, R$ 750 milhões.
Ometto permanecerá como sócio majoritário, com 50,01% de participação nas ações ordinárias, e vai manter o cargo de presidente do conselho de administração. Enquanto isso, BTG e Perfin terão 49,99%.
Consultadas, Cosan e Suzano não quiseram se manifestar. Votorantim não retornou até a publicação da reportagem.
VELOCIDADE DO NEGÓCIO
A operação anunciada no domingo (21) tem um cronograma que termina em novembro, devido a processos necessários, como convocação de assembleia com acionistas e oferta de ações para o mercado.
Caso demorasse somente um mês a mais, a efetivação da transação financeira ocorreria a partir de dezembro, mês mais complicado, com baixa demanda de investidores. Haveria o risco, portanto, de virar o ano sem que a operação tivesse concluída —algo fundamental para a Cosan.
Além disso, pelas regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os valores envolvidos mudariam, considerando os resultados da Cosan do terceiro trimestre, ainda não divulgados. Com a taxa básica de juros a 15% ao ano, o endividamento do grupo aumentaria.
Isso também jogaria a transação para o final do ano, exigindo que sua concretização ocorresse em 2026.
Segundo o balanço do segundo trimestre da Cosan, a dívida bruta da empresa está em R$ 21,5 bilhões. Apenas o custo dessa dívida foi de R$ 580 milhões. No período, a taxa Selic ainda estava em 14,75%. Em junho, o Banco Central elevou para o atual patamar de 15%.
Os juros altos têm sido alvo de críticas de Ometto em falas públicas. Segundo ele, esse é o fator que mais prejudica os empresários atualmente.
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