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O que levou a Madeira-Mamoré a ser conhecida como Ferrovia do Diabo

Folha de S. Paulo – A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no Norte do país foi um dos projetos estruturantes mais arrojados na história do país, por criar uma ferrovia numa região praticamente inabitável e, também, inóspita.

Com condições climáticas já naquela época extremas em alguns períodos do ano, sem fácil acesso aos grandes centros urbanos do país e em meio à selva amazônica, a Madeira-Mamoré ganhou o nome de Ferrovia do Diabo devido às milhares de mortes de trabalhadores registradas em sua construção.

A icônica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi inaugurada em 1912 e a saga para implantar os trilhos envolveu pouco mais de 20 mil operários e contribuiu para o desenvolvimento da região fronteiriça do país com a Bolívia.

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O total de trabalhadores mortos por causas como a malária, outras doenças tropicais e a insalubridade oscila de 5.000 a 20 mil —cenário que soa muito improvável, dado o total de mão de obra empregada na Madeira-Mamoré.

Essas controvérsias se devem às dificuldades de registros de óbitos na época e, também, à história oral, que tratou de narrar a epopeia nas décadas seguintes conforme o interesse e “entusiasmo” do interlocutor.

Em “História das Ferrovias do Brasil – Vol. 1” (Sendas, 2017), dedicado à Madeira-Mamoré, José Manoel Ferreira Gonçalves estima as mortes no patamar mais baixo das projeções.

“A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é um capítulo épico das páginas da nossa história. Por cinco décadas, desde as primeiras ideias até sua conclusão em 1912, milhares de pessoas enfrentaram o desconhecido, as doenças, o medo e a morte numa obra que parecia interminável, quando não irrealizável. Estimam-se em mais de 5.000 os óbitos causados por moléstias tropicais desconhecidas, ataques de indígenas e de animais selvagens, acidentes e desaparecimentos na mata”, escreveu.

Em “1912 – Vitória na Selva” (Temática, 2020), o escritor Ricardo Leite, por sua vez, narra que os números citados em estudos variam de 6.000 a 20 mil mortes, o que ele considera mera especulação considerando-se que foram contratados formalmente 21.817 operários para as obras.

“No rigor dos registros, foram a óbito 1.552 trabalhadores, o que representa 7% do total de empregados na obra. E mesmo acrescentando uma margem de até 20% de mortos não contabilizados, não chegaria a 2.000”, disse o autor.

Independentemente do número correto de mortos, o total é muito alto e contribuiu para a disseminação do apelido atribuído à Madeira-Mamoré.

A história da ferrovia remonta a 1903, num acordo em que o Brasil aceitou construir a ferrovia para escoar a produção de borracha boliviana em troca da área onde está o Acre.

A ferrovia teve, no total, 366 quilômetros de extensão, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia, e transportando borracha, gado, alimentos e, também, pessoas.

Ela foi desativada 54 anos após sua estreia, em 1966.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sobre-trilhos/2025/11/o-que-levou-a-madeira-mamore-a-ser-conhecida-como-ferrovia-do-diabo.shtml

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