Estadão – A oferta de ações da Cosan, fechada ontem, 3, e que movimentou R$ 1,8 bilhão, não salva 2025 como um dos piores anos para ofertas de ações da última década. Com essa operação, o volume levantado até agora no ano é de R$ 6,2 bilhões, queda de 76% na comparação com o mesmo período de 2024, que já havia sido um ano fraco, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima). Mas a forte demanda pelos papéis, que chegou a R$ 9 bilhões, vinda de grandes investidores institucionais, sinaliza que há apetite por ações no mercado, embora não a qualquer preço e não para qualquer empresa, na visão de banqueiros e gestores de recursos.
A Cosan ainda faz nesta semana uma nova oferta subsequente de ações (follow-on), que deve ficar em R$ 1 bilhão. Mesmo com mais essa operação, que levaria o total do ano para R$ 7,2 bilhões, os números estão longe de períodos bons para o mercado de renda variável. Em 2022, foram R$ 57 bilhões captados com ofertas de ações. Em 2021, foram R$ 128 bilhões e, antes da pandemia, em 2019, foram R$ 90 bilhões.
Na oferta de ações da Cosan, a ação saiu a R$ 5,00, um desconto de 20% em relação ao preço de tela que o papel vinha sendo negociado. Por isso, gestoras de recursos e o varejo se animaram a comprar o papel, apesar da proibição de venda da ação (lockup) por dois anos, algo inédito no mercado brasileiro. Esse tipo de trava é colocada para impedir que o investidor seja atraído pelo lucro, comprando o papel com desconto na oferta e vendendo no dia seguinte no mercado, um tipo de estratégia muito comum em ofertas iniciais de ações (IPOs, em inglês).
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Mais operações devem ocorrer em 2026
Para banqueiros da Faria Lima, com a tendência de corte de juros começando em janeiro, 2026 deve ter mais ofertas de follow-on, incluindo de operações menores. Foi o caso da Pague Menos, que levantou R$ 243 milhões em uma oferta fechada no começo de outubro. Com o Ibovespa superando os 150 mil, empresários podem se animar a fazer uma oferta de ações, comenta um gestor. “Esperamos algumas ofertas no primeiro trimestre de 2026”, disse o diretor de um banco de investimento.
Até a oferta da Cosan, a Caixa Seguridade havia feito uma das maiores ofertas de 2025, de R$ 1,2 bilhão, em março. Em outra operação, da Orizon, empresa de gestão de resíduos, que levantou R$ 635 milhões em maio, os controladores compraram todo o lote principal e mais parte do lote extra, ficando com cerca de R$ 400 milhões do total.
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