O Ministério Público Federal instaurou na quarta-feira um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na reestruturação da Nova Brasil Ferrovias, informou à Folha o procurador Lauro Pinto Cardoso Neto. Em 6 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o socorro governamental à Brasil Ferrovias, companhia ferroviária que liga Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ao litoral paulista.
Pelo acordo, a empresa passou a ser chamada Nova Brasil Ferrovias e receberá R$ 1,1 bilhão. O dinheiro vem do BNDES e dos principais sócios da empresa, dois fundos de pensão patrocinados por estatais: Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal). Até a assinatura do contrato, as dívidas da Brasil Ferrovias alcançavam R$ 1,6 bilhão. `Quero avaliar se o retorno dos investimentos feitos na empresa pelos fundos de pensão e pelo governo é compatível com o aporte, pois ambos têm obrigação de garantir segurança aos cotistas e aos cidadãos em seus investimentos`, afirmou Cardoso Neto.
O presidente da Nova Brasil Ferrovias, Elias Nigri, disse não temer nenhum escrutínio no plano de remodelagem da companhia. `Vai ser ótimo. A reestruturação foi conduzida com extrema transparência e é um sucesso`, afirmou. `O mercado ferroviário está em ebulição, e nós estamos aproveitando o bom momento.`
Procurado, o BNDES não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição. O mesmo aconteceu com a Previ e a Funcef. Fontes do fundo de pensão da Caixa, porém, informaram que a iniciativa do procurador foi considerada non sense. O motivo é que o processo de reestruturação durou dois anos e em nenhum momento houve questionamento.
A Brasil Ferrovias é considerada uma das mais importantes ferrovias do país. Por meio dela são escoados grãos, minério e madeira do Centro-Oeste. Após a remodelação, estaria atraindo a atenção de investidores internacionais dispostos a comprar a parte dos fundos ou do BNDES.
A holding abriga três linhas. Os trilhos estão sob a bandeira da Ferronorte entre Alto Araguaia (MT) e Aparecida do Taboado (MS). Dali até a região portuária de Santos, as mercadorias andam na Ferroban. A outra ferrovia é a Novoeste, que vem de Corumbá (MS) e se une à Ferroban na cidade paulista de Bauru.
Vagões – Com o mercado superaquecido, a Nova Brasil Ferrovias é tida no setor como uma das mais importantes compradoras de vagões. Segundo o presidente do BNDES, Guido Mantega, a empresa deverá investir R$ 2,5 bilhões em trilhos, locomotivas e vagões.
Na lista de prováveis vendedores estão a Amsted-Maxion, empresa do grupo Iochpe Maxion; a Usimec, braço da Usiminas, e o consórcio Metalmec, que reúne chineses, japoneses e empresas do Espírito Santo.
Os principais articuladores da remodelação foram o presidente da Funcef e do Conselho da Brasil Ferrovias, o capixaba Guilherme Lacerda e o presidente da empresa. Ambos foram assessorados pela Angra Partners, empresa especialista na gestão de recursos e em planejamento empresarial estratégico.
Atualmente, de acordo com a revista `Ferroviária`, a Funcef desenha um novo fundo de investimentos para a área de infra-estrutura. Chamado de Logística Brasil, deverá abrigar até R$ 500 milhões em recursos.
O dinheiro deverá ser empregado na compra de vagões, além de financiamento de obras em portos e armazéns. O fundo deverá estar formatado dentro de um prazo de três meses. É provável que a Funcef crie uma SPE (sociedade de propósito específico, empresa) para cuidar do investimento.
Ajuda à BF é alvo de investigação
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