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Norte-Sul: secretário cobra verbas

O secretário de Infra-estrutura de Goiás, Leonardo Vilela, diz não acreditar na liberação dos R$ 30 milhões que são previstos no orçamento da União deste ano para a continuação das obras da Ferrovia Norte-Sul no Estado. Vilela aponta que as políticas adotadas pelo Ministério da Fazenda, em função da necessidade de fazer superávit primário, dificultam o processo. “Outro problema é a maior dedicação do governo federal à implantação da Ferrovia Transnordestina”, analisa.

O secretário acredita que a ferrovia, que liga Goiás ao Maranhão, deixou de ser prioridade do governo federal. Mesmo com o apoio do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, para a viabilização das obras, “daqui a 2,5 meses as chuvas começam no Cerrado, impossibilitando o andamento das edificações”. Ele explica que o prazo para liberação ainda não se expirou, mas o dinheiro para a liberação das obras encontra dificuldades. “A liberação dos R$ 30 milhões está prevista para esse segundo semestre. Mesmo assim, acredito que não aconteça pelo fatores elencados.”

No Estado de Goiás, onde a Ferrovia Norte-Sul terá 510 quilômetros de extensão. Em janeiro desse ano, foi iniciada a construção do trecho Anápolis – Petrolina de Goiás, com 40 quilômetros. Vilela conta que as forças políticas e empresariais de Goiás estão dispostas a continuar brigando pela liberação de recursos. “Mesmo com manifestações, articulações, abaixos-assinados não estamos conseguindo. Mas não vamos parar”, diz.

A Ferrovia Norte-Sul está sendo implantada pela Valec- Engenharia, Construções e Ferrovias S.A, empresa ligada ao Ministério dos Transportes, que detém a concessão para sua construção e operação. O DM tentou entrar em contato com o presidente dessa empresa, José Francisco das Neves (Juquinha), mas foi informado por suas secretárias que ele estava de férias, sem comunicação.

Correlata – Ontem, o governo federal divulgou que algumas rodovias e um trecho da ferrovia Norte-Sul serão os próximos gargalos do sistema de transporte brasileiro a receberem obras dentro do acordo feito entre governo federal e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dos R$ 425 milhões das obras, R$ 22 milhões virão do superávit financeiro feito ano passado pelo governo federal.

O superávit primário é quando o governo federal gasta menos do que arrecada em impostos – se não considerados os gastos com juros. Pelo acordo feito com o FMI, o país poderia usar uma parte do superávit primário do ano passado para realizar obras de infra-estrutura, e não para pagar juros.

Uma medida provisória editada pelo governo determina alguns investimentos com esse recurso. Publicada no Diário Oficial da última sexta-feira, a MP abre crédito extraordinário no valor de R$ 380 milhões. O recurso vai permitir a construção do trecho Aguiarnópolis-Babaçulândia, da Norte-Sul, e na conservação de rodovias. A construção do trecho de 38 quilômetros da ferrovia vai substituir o que foi alagado por conta da construção da Usina Hidrelétrica de Estreito e da barragem no rio Tocantins. O valor destinado para isso é de R$ 116,87 milhões.

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Fonte: Diário da Manhã – GO

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