De caçador a caça. O empresário Benjamin Steinbruch, da Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN), está conversando com o magnata indiano Lakshmi Mittal e o bilionário americano Wilbur Ross, controladores do Mittal, maior grupo siderúrgico do planeta. Em pauta, a compra do controle ou pelo menos de uma participação na empresa brasileira.
A CSN, que já sonhou com a aquisição da inglesa Corus, pode mudar de mãos devido ao preço atraente. É um gigante que marcou a história industrial do Brasil, mas hoje está espremido pelo crescimento da Gerdau, pela
consolidação dos ativos brasileiros da Arcelor (segundo maior grupo de siderurgia do munndo) e pelo contrato de exclusividade com a Vale do Rio Doce para venda do excedente do minério de ferro produzido na mina Casa de Pedra.
O destino desta mina será decisivo para a concretização de qualquer
negócio com o Mittal. Pelo acordo com a Vale, selado na época do descruzamento de ações, em 2000, a Casa de Pedra atende às necessidades da CSN, mas é obrigada a revender as sobras do minério (que apresentam altíssimo teor de pureza, de até 68%) para a concorrente. A produção chega a 16 milhões de toneladas anuais, suficiente para abastecer a Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, por três décadas. Steinbruch chegou a anunciar um plano para ampliar o volume produzido para 40 milhões de toneladas/ano, num investimento que consumiria US$800 milhões, mas o projeto segue em banho-maria. É natural. A CSN aguarda a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a disputa com a Vale, prevista para a próxima semana. O órgão de defesa da concorrência baterá o martelo sobre diversas questões, entre elas o excedente da Casa de Pedra. Se vencer a queda-de-braço, Steinbruch valoriza seu patrimônio e discute o preço para sair de cena. Custa nada lembrar que a Casa de Pedra foi transformada numa empresa à parte, facilitando uma possível venda fatiada. A negociação com a Mittal também explica o ímpeto de Steinbruch para comprar as ações da família Rabinovich na siderúrgica, mês passado. A Gerdau também queria, mas o empresário pagou prêmio alto, certamente pensando em lucros ainda maiores com futuros fatos relevantes.
Para quem não conhece a dupla: Lakshmi Mittal fez fortuna comprando usinas siderúrgicas durante a onda de privatizações que sucedeu a extinção da União Soviética e também no Leste Europeu. Foi capaz de tirar dinheiro de uma empresa sucateada no Cazaquistão. Em sua mais espetacular tacada, o indiano assumiu, por meio da LNM, as rédeas de algumas das principais companhias do setor nos Estados Unidos, incluindo a Bethlehem Steel.
O acordo foi fechado com Wilbur Ross, que havia criado o International
Steel Group, unindo ativos antes depreciados pela perda de competitividade da indústria americana. Ross, aliás, é expert em investir em negócios condenados, recuperando-os e passando-os adiante. Desta vez, contudo, desenhou contrato tão complexo com o parceiro indiano que praticamente representa um casamento.
Junta, a dupla formou a Mittal Steel Group, um mastodonte com capacidade de produzir 65 milhões de toneladas de aço por ano, contra 43 milhões da vice-líder Arcelor – também fruto de uma megafusão, da francesa Usinor com a Arbed, de Luxemburgo, e a Aceralia, da Espanha. Nesta terra de gigantes, os brasileiros penam para ganhar escala, enfrentando a dificuldade adicional do altíssimo custo do capital. Para driblar esta barreira, a Gerdau cresceu na América Latina e nos EUA e já fatura mais no exterior do que no Brasil. A CSN, por sua vez, não conseguiu seguir o mesmo caminho. A aliança com a Corus fracassou e, agora, é ela que está na alça de mira dos estrangeiros. As informações são da coluna Informe Econômico da edição de hoje do Jornal do Brasil.
CSN é o novo alvo da gigante Mittal
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