A solenidade oficial do início das obras da ferrovia Transnordestina, marcada para a manhã de hoje, em Missão Velha, no interior do Ceará, será marcada pelo clima de campanha eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reluta em admitir oficialmente a candidatura à reeleição, vai pegar um bigu de cerca de 20 minutos, percorrendo de trem os sete quilômetros que separam o canteiro de obras da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) até o centro da cidade de Missão Velha. O presidente será acompanhado, na viagem, pelo empresário Benjamim Steinbruch, que controla a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), maior acionista da CFN. A cerimônia será transmitida ao vivo para todo País pela Radiobrás, com imagens geradas a partir da TV Verdes Mares, do Ceará. A ferrovia, um projeto que remonta à época do Império, é uma das promessas de Lula para o Nordeste. Se for mesmo concluída, ligará o Sertão nordestino aos portos de Suape e Pecém, no Ceará.
Em um comboio formado por três vagões, seguirão ainda os governadores do Piauí, Wellington Dias (PT), do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB) e de Pernambuco, José Mendonça Filho (PFL). O ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos (PMDB), pré-candidato ao Senado, ligou ontem para a CFN manifestando o interesse de participar do evento e foi convidado também. A cerimônia será realizada às 10h, no município de Missão Velha (CE), no quilômetro (km) 557 da antiga malha da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA).
No local das obras de terraplenagem, Lula vai plantar uma árvore de Juazeiro, natural da região, além de cumprimentar os trabalhadores da empresa EIT, escolhida pela CFN para as obras de construção do primeiro trecho da obra, de 110 quilômetros, ligando Missão Velha a Salgueiro, em Pernambuco.
No total, serão construídos 646 km novos e recuperados outros 1.150 km da atual Transnordestina. A ferrovia terá cerca de 1.800 quilômetros de extensão e encurtará o caminho para os exportadores que buscam os mercados europeu e norte-americano, conforme revelou a série de reportagem Novo Nordeste, publicada pelo Jornal do Commercio, entre os dias 14 e 20 de maio último.
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A parte oficial dos discursos está programada para as 11 horas da manhã, quando será realizado um ato público, no centro da cidade de Missão Velha, alusivo ao início das obras.
Com investimentos de R$ 4,5 bilhões, a maior parte de fundos públicos, a ferrovia ligará os dois principais portos do Nordeste, Suape e Pecém, à nova fronteira agrícola do País, que se estende do sul do Maranhão, passando pelo sudeste do Piauí até o oeste da Bahia.
EMPREGOS – Segundo dados do Ministério da Integração Nacional, ao longo dos próximos dez anos, a ferrovia promoverá a criação de 620 mil empregos, com as atividades econômicas geradas, reduzirá em R$ 300 milhões os desperdícios ocasionados pelo transporte rodoviário, abrirá a via de exportação para o pólo de produção de gesso de Araripina, cuja produção é estimada em 2,5 milhões de toneladas/ano, e absorverá alta tecnologia, aumentando a produtividade da ferrovia e reduzindo os custos do transporte.
Obra poderia custar menos, segundo a CFN
Uma das principais promessas eleitorais do presidente Lula para o Nordeste, a Transnordestina poderia ter custado R$ 1 bilhão a menos, se em lugar de dois ramais ferroviários, a obra contasse com apenas um ramal ligando a região produtora de grãos a um porto regional. A revelação foi feita pelo diretor presidente da CFN, Jorge Mello, em entrevista ao Jornal do Commercio, em março.
“Discutimos mais de um ano com o governo federal como conseguir uma solução para o crescimento da região e vimos a possibilidade de irradiar o desenvolvimento econômico com duas pernas. É por esta razão que a ferrovia, quando chega a Salgueiro, ganha duas vertentes, uma que continua até Suape, em Pernambuco, e outra vertente no sentido Norte Sul, até Pecém, no Ceará. Se o foco fosse somente a exporta
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