A multinacional Bunge confirmou o interesse de construir um terminal de grãos e de açúcar no Porto de Suape. A informação foi dada ontem pelo vice-presidente da Bunge no Brasil, Murilo Braz Sant’Anna, que participou ontem da cerimônia de lançamento do canteiro de obras do maior moinho da América do Sul, que também ficará em Suape e vai gerar até 1.000 empregos durante a construção. Mas a empresa condicionou o terminal de grãos a uma definição da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) sobre o ramal da Transnordestina planejado para chegar em Suape. A ferrovia está sendo construída a um ritmo lento e ainda não se sabe se chegará primeiro a Suape ou Pecém, no Ceará.
“Nós temos vários estudos a serem feitos. Mas está dependendo muito da rota que for estabelecida pela Transnordestina”, afirmou Murilo Braz Sant’Anna. Segundo ele, antes de tomar uma decisão de investimento, o grupo precisa ter claro o posicionamento da CFN. Ele citou a possibilidade de investir num terminal de grãos e de açúcar e álcool – a Bunge é uma das líderes nos dois setores. O terminal serviria tanto para desembarcar trigo importado da Argentina que vai alimentar o novo moinho quanto exportar grãos das novas fronteiras agrícolas do Nordeste, como o Piauí e oeste baiano.
A presença da Transnodestina seria vital para o negócio justamente por interligar as fronteiras agrícolas com a operação portuária do cais de grãos. A Bunge já faz operações portuárias em outras partes do País.
O futuro terminal de grãos poderá ser licitado ainda este ano e vai ser operado no Cais 4, que está sendo construído a passos lentos por depender de verbas do Orçamento Geral da União. Já se colocaram com interesse de operar o futuro terminal a própria CFN e a Bunge. O Sindaçúcar montou uma parceria internacional para um terminal de açúcar. “São negociações complexas, que serão tomadas agora mas afetarão todo o futuro do porto. Está havendo um debate e a posição não está fechada”, comentou o governador Eduardo Campos.
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O governador disse estar preocupado com o ritmo lento das obras da Transnordestina, e vem se articulando para tentar reverter isso. Ele almoça hoje com o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB-CE), para traçar estratégias conjuntas para uma execução mais rápida da obra. “Tanto ele (Cid) quanto eu estamos preocupados com o ritmo da obra. Vamos tratar o que podemos fazer, do ponto de vista político, para acelerar a obra”, afirmou. Ele disse que se reunirá, daqui a duas semanas, com a direção da CFN e mostrou confiança em relação à construção do terminal de grãos. “A Bunge está fazendo este moinho porque sabe que está saindo a Transnordestina. Uma empresa como a Bunge não coloca R$ 126 milhões sem estudar todas as alternativas”, afirmou.
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