O cronograma de obras previsto para a primeira etapa da Ferrovia Transnordestina, no trecho Missão Velha (CE)/Salgueiro (PE), não será cumprido no prazo estabelecido. As atividades estão atrasadas, segundo a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), por causa da demora para a desapropriação dos terrenos por onde a malha ferroviária irá passar. Para o Departamento Nacional de Infra-Estrutura (Dnit), por meio da assessoria de Imprensa, o procedimento não está lento, ocorrendo a uma velocidade inédita.
Segundo o diretor administrativo-financeiro da companhia, Jorge Mello, dos 110 quilômetros desse trecho, 33 quilômetros deveriam estar com infra-estrutura pronta para receber a ferrovia até o fim deste semestre. “Mas não vai ficar. O Dnit começou a desapropriação junto com a obra, em julho”, completou o diretor. O órgão federal ficou responsável em desapropriar os terrenos na primeira etapa da obra, sendo conduzido pelo departamento no Ceará.
“Estamos tendo reuniões constantes com o Governo Federal e o Dnit”, comentou o presidente da CFN, Tufi Daher Filho, que considera o processo judicial das desapropriações como o atual gargalo da Transnordestina. “Nem os atuais dez quilômetros com infra-estrutura estão totalmente desapropriados”, criticou Mello.
Enquanto a CFN considera o processo demorado, o Dnit garante que tudo está sendo realizado dentro do prazo. De acordo com a assessoria de Imprensa do órgão, em menos de 30 dias, todas as famílias serão indenizadas, após a realização de audiências conciliatórias, que ocorrem entre os dias 15 e 17 de maio.
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O diretor da companhia ainda pontuou outros dois impasses que também devem atrasar a Transnordestina. O projeto elaborado pelo Dnit para esse trecho teve de ser refeito, pois passa pelos municípios de Jati e Abaiara, no Ceará. “Estávamos evitando passar por cidades. Estamos concluindo na sexta-feira”, disse Mello. A CFN também está contratando uma empresa para a remoção de 22 sítios arqueológicos encontrados no trecho, atrasando as obras.
A Transnordestina está avaliada em R$ 4,5 bilhões e, até janeiro deste ano, a empresa conseguiu R$ 2,227 bilhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e R$ 30 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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