Quem circula pelas cidades de médio e grande porte sente os efeitos do excesso de veículos e o agravamento da mobilidade das pessoas. Todos nós perguntamos se existe alguma solução ou se estamos frente a uma doença progressiva que não tem cura.
Neste cenário, temos de refletir sobre alguns dados reais do Brasil, que construiu, durante vários anos, uma matriz de transporte que privilegiou o modo rodoviário em detrimento ao ferroviário. Na década de 1950, a ferrovia de longa distância transportava mais de 100 milhões de passageiros por ano. Já em 2005 transportamos 1,5 milhão nas três linhas de longa distância que ainda, teimosamente, operam no Brasil.
Nas grandes cidades como São Paulo, o Metrô transporta mais de 2 milhões de passageiros por dia e a CPTM em torno de 1,5 milhão. Vale a pela lembrar que o Metrô de São Paulo, com todas as expansões, ainda não atingiu 100 quilômetros de linha e já mostra sintomas visíveis de saturação, bem como a CPTM. Só para termos um parâmetro de comparação, Nova York tem 600 quilômetros de linha de Metrô e menos da metade da população de São Paulo.
Analisando a matriz de transportes de carga no Brasil, verificamos que 59% pertencem ao rodoviário e 24% ao ferroviário, enquanto que nos EUA 32% são do rodoviário e 43% dos trens. Existe um desequilíbrio em nossa matriz e ainda não aprendemos a lição de que os setores ferroviário e rodoviário são complementares e têm de ´´andar´´ juntos, pois existem cargas e distâncias adequadas para cada modo.
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Assim como no transporte de cargas, na área de passageiros a lição a aprender é a mesma. Existem áreas urbanas centrais onde o transporte por ferrovia é mais adequado, porém o ônibus sempre irá funcionar como complemento do ferroviário fora das áreas centrais.
Existem estudos mostrando que uma via de Metrô pode transportar 60 mil passageiros por hora, enquanto que uma faixa de ônibus transporta 6,7 mil e três faixas de carro transportam 5,5 mil passageiros por hora. O mapa urbano das grandes cidades mostra que parte da população da classe A e B, que morava em bairros dentro das cidades, mora fora, onde se concentra grande parte dos condomínios de alto e médio padrão. Isso traz, como conseqüência, o congestionamento das rodovias que acessam estas cidades, e uma distância maior a percorrer diariamente de carro, pois na grande maioria das vezes não existe a opção de transporte coletivo eficiente e confortável.
A solução para o problema dos transportes de carga e passageiro passa, obrigatoriamente, pelo investimento em ferrovias e Metrôs e a readequação do transporte rodoviário como complemento do ferroviário, embora o rodoviário também necessite de investimentos urgentes na recuperação das estradas, as quais estão 54,5% em estado péssimo ou ruim, segundo o Conselho Nacional de Trânsito (CNT).
Investimentos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são insuficientes frente à demanda da área de transportes – por anos jogada à própria sorte. Segundo o governo federal, o PAC irá investir em 2.518 quilômetros de novas linhas ferroviárias, sendo 211 com investimento público e 2.307 privado.
Por isso, o Congresso SAE Brasil 2008, de 7 a 9 de outubro, buscará a integração do ferroviário com o rodoviário, visando discutir as soluções possíveis para melhorar a mobilidade do brasileiro e das cargas transportadas no País.
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