Uma equipe do governo brasileiro deverá ir à França entre os dias 21 e 28 de julho para conhecer o trem de alta velocidade, fabricado naquele país pela multinacional Alstom. A informação foi dada na sexta-feira pelo presidente mundial da Alstom, Patrick Kron, que visitou o país para fechar contratos com o Metrô de São Paulo e com a brasileira Bardella e também para defender a empresa de acusações. A Justiça da Suíça, com apoio da Justiça francesa, investiga se ex-representantes da Alstom teriam montado um esquema de corrupção para ganhar contratos de fornecimento de equipamentos e serviços para obras públicas.
Kron disse que o governo brasileiro já visitou fabricantes de trens de alta velocidade no Japão, Alemanha, Itália e Espanha. Espero que venham rápido até a França. Somos líderes em trens de alta velocidade, afirmou o presidente francês, ressaltando que não gostaria que as investigações prejudicassem a participação da Alstom no processo de concorrência do trem-bala no Brasil. Não quero nenhum tratamento especial. Só quero que qualquer tratamento seja baseado em fatos, disse Kron.
O trem de alta velocidade brasileiro deverá ligar as cidades do Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas, com ligações para os aeroportos internacionais Tom Jobim (Rio), Guarulhos (São Paulo) e Viracopos (Campinas). A obra, que deverá ter cerca de 550 quilômetros de extensão, faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e está orçada em US$ 9 bilhões.
A Alstom tem grande interesse na obra, que deverá ter seu trajeto divulgado até o fim de agosto e cuja licitação está prevista para o início do próximo ano. A empresa se declara a líder na indústria ferroviária de alta velocidade no mundo. Desde que lançou o primeiro TGV, em 1981, a companhia francesa vendeu 640 trens que superam os 300 quilômetros por hora. O recorde de velocidade também é nosso. Atingimos 574,8 quilômetros por hora entre Estrasburgo e Paris, afirma Ramon Fondevila, diretor geral de transportes da Alstom Brasil. Ele acredita que o governo brasileiro deverá licitar primeiro o trecho São Paulo/Campinas, até o fim deste ano, e depois Rio/São Paulo (com paradas previstas em Resende, São José dos Campos e Luz e um ramal para o aeroporto de Guarulhos), no primeiro semestre do próximo ano.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
O governo brasileiro, segundo declarações recentes da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deverá exigir a transferência de tecnologia das empresas estrangeiras que participarem do projeto de implantação do trem de alta velocidade, a exemplo do que fez, por exemplo, a Coréia do Sul. Outra exigência será de que elas firmem parcerias com grupos nacionais.
Para Fondevila, esses pré-requisitos não atrapalham os planos da Alstom. Estamos habituados a transferir tecnologia. No caso da Coréia, começamos a fabricar os trens na França e depois passamos a produzi-los localmente. Também estamos fabricando turbinas de energia hidráulica no Brasil com transferência de tecnologia, diz.
Representantes da Alstom acreditam que uma das vantagens do grupo francês sobre boa parte de seus concorrentes é sua tecnologia de trens. A companhia já lançou o AGV, quarta geração de trens de altíssima velocidade, que não tem locomotiva e é movido por motores em todos os vagões. A velocidade comercial do AGV é de 360 km/h, enquanto o TGV (que tem locomotiva) opera entre 300 e 330 km/h.
O aumento dos investimentos brasileiros em sistemas de transporte metroferroviário tem atraído a Alstom, que faturou no ano passado 800 milhões no país. Na semana passada, a companhia fechou um contrato de 280 milhões com o Metrô paulista para fornecimento de sistema de controle automatizado para as linhas 1, 2 e 3. Segundo Fondevila, com o novo sistema – que deverá estar concluído em 2010 – o tempo entre os trens no horário de pico deverá cair de 110 segundos para até 60 segundos. Com isso, será possível aumentar o número de trens.
O sistema do Metrô é
Seja o primeiro a comentar