Um país que considera e tem o ônibus como transporte de passageiros de grande capacidade, ou como chamam popularmente, de transporte de massa, não consegue resolver os problemas crônicos de mobilidade, que acabam por afetar diretamente ou indiretamente diversos serviços essenciais à cidade e às próprias pessoas que nela vivem. Para mudar o quadro caótico que as metrópoles brasileiras já estão acostumadas a conviver, somente com a conscientização, por parte dos administradores públicos e da própria sociedade, que isso pode e deve mudar.
Todas essas observações fazem parte da entrevista com o jornalista Fritz Utzeri, que é o editor-chefe da Revista Ferroviária, e que já passou por diversas empresas de comunicação, como o Jornal do Brasil, onde foi diretor de jornalismo, e o sistema Globo, onde teve diversos cargos no jornal e na emissora de TV, além de outras empresas.
Suas andanças por diversos países, principalmente os da Europa, possibilitaram que constatasse a evolução que vem ocorrendo, em termos de transporte de passageiros, nas diversas partes do mundo. “Até mesmo o México, um país que se assemelha ao Brasil, consegue ter uma grande evolução do sistema de metrô” diz o jornalista, que garante que se nada mudar, em curto espaço de tempo – todo esse processo de deterioração do meio urbano provocado pelos constantes congestionamentos, entre outras situações que o nosso País vem sofrendo, provocadas pela falta de planejamento e de conscientização política, principalmente para o transporte metroferroviário -, as grandes cidades brasileiras entrarão em colapso.
“Esse papel de transporte de massa é único e exclusivo dos trens urbanos e metrôs. Os ônibus servem como alimentadores do sistema sobre trilhos”, orienta Fritz Utzeri.
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Toda a entrevista exclusiva para a Série Perspectivas Metroferroviárias – O transporte e as cidades, você pode acompanhar, logo a seguir.
CBTU – A Cidade nos Trilhos: Qual a sua visão sobre o transporte urbano de passageiros nas cidades brasileiras?
O transporte urbano de passageiros nas cidades brasileiras é extremamente deficiente. Até porque parte-se da premissa de que o ônibus é um transporte de massa. O transporte de massa tanto para média capacidade quanto para grande capacidade é sempre o transporte sobre trilho. É assim no mundo inteiro, não tem jeito.
O bonde que existia no Rio de Janeiro era um transporte de massa de média capacidade para uma cidade que era muito menor do que a atual. Havia mais de 400 km de linha de bonde e transportava-se 400 pessoas numa viagem, coisa que hoje em dia é impossível imaginar, este transporte sendo realizado através do ônibus. A cidade era toda cortada por linhas de bonde. No passado, não sei quantas cidades brasileiras tinham bonde, mas cidades como Ribeirão Preto, Piracicaba e várias cidades no nordeste tiveram bondes. Tinha bonde em Juiz de Fora, tinha bonde em Belo Horizonte, existia bonde em Aracajú, em Santos… Quando eu era menino, as cidades eram medidas, em sua importância, se havia o sistema bonde ou não.
Hoje é o ônibus que tenta suprir o vácuo deixado pelo bonde. As linhas de ônibus são mal distribuídas. O ônibus seria um sistema que funcionaria para distribuição dos passageiros em bairros, por exemplo, em determinadas áreas. São dezenas de linhas de ônibus cobrindo o mesmo trajeto. Em alguns casos, como Curitiba e São Paulo, existem corredores de ônibus específicos, que não é o caso do Rio de Janeiro, que é um caos. O uso do carro está chegando ao limite. No Rio de Janeiro temos hoje 2,6 milhões de automóveis na rua. Em São Paulo são seis milhões de automóveis em sistema de rodízio. Com o passar dos anos e a facilidade de aquisição de um carro, essa medida já não faz decair o número de veículos individuais nas ruas.
A Cidade do México começou a construir o metrô exatamente na mesma época que a cidade de São Paulo. São Paulo hoje em dia tem 60,3km de linhas de
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