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Consórcio culpa terreno por cratera no metrô

A junção de três “surpresas” geológicas não-detectadas é o principal argumento dado pelo Consórcio Via Amarela para uma cratera que se formou nas obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo no ano passado e que deixou um saldo de sete mortos.


Nesta sexta-feira, o consórcio formado pelas empresas Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Alstom divulgou um laudo de 800 páginas e dois vídeos com pouco mais de 20 minutos cada — um a respeito de estudos feitos por técnicos brasileiros e estrangeiros dando a versão do consórcio para o que de fato ocorreu.


Os materiais rebatem as conclusões já divulgadas pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) no início de junho deste ano.


O IPT listou 11 problemas que levaram à tragédia, considera que houve descumprimento do projeto pelas empreiteiras. Diante do risco e de sinais de alerta do colapso, elas também deixaram, diz a conclusão do IPT, de adotar providências para a sustentação da obra antes de prosseguir com a detonação de explosivos.

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A apresentadora dos vídeos relata que houve “visão equivocada dos fatos” por parte do IPT e que “a análise dos técnicos do IPT é feita a partir de premissas incompletas e por muitas vezes equivocadas.”


Tríade


Segundo o consórcio, foram três os fatores geológicos que, agindo de forma combinada e que não teriam sido detectados antes, provocaram o colapso da estrutura do túnel.


Em cerca de 800 páginas o documento elaborado pelos técnicos ressalta em diversos momentos o que eles avaliam como “imprevisibilidade” que resultou no que consideram “indiscutível e lamentável fatalidade”.


O primeiro fator geológico foi o fato de que a estrutura que estava acima da escavação deveria fazer aquilo que os técnicos chamam de “arqueamento”, o que aliviaria o peso sobre a estrutura que estava sendo cavada abaixo. Isso não ocorreu, e todo o volume passou a ser carga pura e escorada tão-somente pela estrutura que estava sendo cavada, que não suportou o peso e rompeu.


Os técnicos contratados pelo consórcio apontam a presença de um mineral chamado biotita, que agiria como uma espécie de “lubrificante” para o bloco, facilitando assim a mobilização da carga.


Por fim, eles concluíram pela existência de rocha metabásica no fundo do piso, não detectada em sondagens na região. Segundo os técnicos, quando decomposta, essa rocha pode esfarelar.


Outro lado


Procurado, o IPT informou que não foi comunicado oficialmente. Até as 15h20, o instituto não soube informar se iria se manifestar a respeito.


 

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Fonte: Folha Online

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