A MMX, companhia de mineração do grupo EBX, do empresário Eike Batista, informou ontem que o acordo de venda dos ativos da IronX para a britânica Anglo American está mantido, e a expectativa é que o negócio seja concluído em 5 de agosto. A IronX controla o projeto de minério de ferro MinasRio e o sistema de minério de ferro Amapá. Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a Anglo aceitou os termos e condições do contrato, depois que Eike se comprometeu a pagar do próprio bolso eventuais prejuízos decorrentes da Operação Toque de Midas, da Polícia Federal (PF).
Desencadeada em 11 de julho, a investigação da PF levantou suspeitas de irregularidades no processo de licitação da concessão da estrada de ferro Amapá, vencida pela MMX. Entre os mais de dez mandados de busca e apreensão, dois foram na casa de Eike e na sede da MMX, no Rio e no Amapá. A empresa nega ter cometido qualquer irregularidade nas ações ligadas à licitação.
“Em relação ao processo de investigação em andamento, Eike Batista ofereceu uma indenização pessoal, a qual não gerará qualquer obrigação adicional para a MMX, que cobrirá qualquer prejuízo eventual que possa vir a ser incorrido pela Anglo American com resultado da referida investigação”, diz a nota da empresa, assinada pelo diretor financeiro, Nelson Guitti Guimarães.
O valor total da venda para a Anglo American, incluindo a oferta para os acionistas minoritários, é de US$ 5,5 bilhões. Dessa quantia, Eike ficará com US$ 3,4 bilhões.
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Em teleconferência com analistas, o empresário tentou minimizar os efeitos da Operação Toque de Midas. Segundo ele, questionamentos de licenças são comuns no Brasil: — Estamos presentes em muitos estados brasileiros, é um processo saudável e regular.
Ações de empresas sobem até 27% em estréia na Bolsa
Perguntado por um analista sobre a possibilidade de surgimento de novas notícias desse tipo, Eike disse que tudo é possível em uma empresa de grande porte.
— Sim, somos muito grandes, estaremos sempre na mídia — respondeu, acrescentando que a transparência no relacionamento com os investidores se tornou a marca da companhia.
Eike afirmou ainda que, mesmo se a MMX perder a concessão, a estrada de ferro no Amapá não irá desaparecer.
Nesse cenário, a ferrovia teria de ser administrada por algum outro concessionário, permitindo, assim, o escoamento da produção da empresa. Ele disse que esse concessionário precisaria estar disposto a aceitar uma taxa de retorno anual de 8% a 10%.
O anúncio fez disparar as ações da IronX e LLX Logística, criadas a partir da cisão parcial da MMX, que estrearam ontem no Novo Mercado da Bovespa. Elas subiram 27,2%, para R$ 26,61, e 23,11%, para R$ 4,90, respectivamente.
Em fevereiro, Eike fizera uma operação do próprio bolso: transferiu suas ações em duas empresas para a MPX, que, assim, ficou com o controle total do Porto de Açu, no Rio de Janeiro, e da usina termelétrica de Castilla, no Chile.
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