Para ajudar os eleitores a analisar com mais critério técnico as propostas dos candidatos a prefeito do Rio, O GLOBO criou o “Promessômetro”, que mostrará uma avaliação, com notas dadas por especialistas, dessas promessas. O primeiro resultado do “Promessômetro”, sobre o setor de transportes, mostra que os candidatos terão que melhorar muito suas propostas: todas foram reprovadas, ficando com notas entre 4 e 5.
Para os especialistas, a maioria das promessas peca por apresentar projetos voltados só para uma região da cidade, ou seja, falta visão geral do sistema de transportes. Em outros casos, não existem dados objetivos de como pretendem pôr em prática suas idéias, algumas delas com elevados custos.
— A impressão que se tem é que a maioria dos candidatos conhece as propostas uns dos outros e tentam repetir as soluções, sem se preocupar em fazer um diagnóstico real e buscar explicações históricas para então buscar subsídios para um projeto ideal viável — diz o professor Giovani Manso Ávila, da Escola Politécnica da UFRJ.
Na avaliação de José de Oliveira Guerra, professor de engenharia de transportes da Uerj, as propostas são incompletas e não abrangem questões vitais do sistema de transportes. O professor acrescenta que, em quase todas as promessas, não há referências à questão do trânsito, que está ligada ao sistema de transportes: — Um candidato que fala só de uma região está pensando que será subprefeito, não está observando uma cidade de seis milhões de habitantes. Quase ninguém levou em conta a questão do trânsito. Não há como melhorar o trânsito sem uma intervenção forte no transporte público.
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Do grupo de pesquisa em engenharia de trânsito da UFF, o professor José Jairo Araújo Souza diz que não adianta falar em remanejamento de linhas de ônibus e construção de novas estruturas sem explicar como realizar esses projetos e que benefícios trarão. Afirma que algumas propostas podem resolver problemas pontuais, por isso não receberam nota máxima. Ele disse que alguns demonstram desconhecimento sobre o setor: — Um ou dois candidatos tiveram uma visão um pouco mais geral, mas sem dizer como vão realizar suas idéias. A maioria se preocupou apenas com algumas regiões. Há candidato que demonstra desconhecimento e desinteresse pela área. Quem não sabe se apresentar não pode ser um bom governante.
Os oitos candidatos foram convidados a escrever, em dez linhas, sobre sua principal proposta para o setor de transportes e como pretende realizar os projetos. Aos especialistas foi pedido que avaliassem o grau de objetividade e importância das propostas para melhorar o sistema na cidade.
Mais uma faixa na Lagoa-Barra
MARCELO CRIVELLA (PRB): O principal problema do trânsito no Rio de Janeiro está nas zonas Oeste e Norte. O gargalo que se forma na saída da Barra da Tijuca precisa ser enfrentado imediatamente, com a criação da terceira faixa em parte da Auto-Estrada Lagoa-Barra. Somente possibilitando esse aumento de fluxo pode-se construir o Túnel da Grota Funda (em parceria com a iniciativa privada), já que o túnel aumentaria ainda mais o tráfego na auto-estrada. Delimitadas as três faixas, a central será destinada a ônibus articulados nas linhas que ligam à Barra da Tijuca. Esses ônibus serão climatizados, com capacidade para transportar até 150 pessoas de uma só vez. Os pontos de parada serão plataformas também refrigeradas, onde os bilhetes poderão ser comprados com antecedência. É o modelo proposto pelo urbanista Jaime Lerner, semelhante ao implantado por ele quando administrou Curitiba. O modelo de faixas exclusivas para ônibus, que diminui o tempo das viagens, também será adotado na Avenida Brasil, com embarque igualmente por meio de plataformas tubulares. Se eleito prefeito, também tentarei uma parceria com o governo do estado para transformar o sistema ferroviário que atende à Zona Norte em metrô de superfície.
Aeromóvel para ligar Barra à Penha
JANDIRA FEGHALI (PCdoB): Entre nossos projetos de transportes, o destaque é o aeromóvel, um veículo sobre trilhos, de tecnologia nacional. Uma das linhas vai da Barra da Tijuca à Penha, interligando-se com o metrô na Linha 2, podendo se estender até o Aeroporto Tom Jobim. A outra é a linha TransPan, que também sai da Barra para a Zona Norte, e pode chegar ao aeroporto Santos Dumont. Seu percurso passa por importantes pólos comerciais — Barra Shopping, Via Parque, Nova América e Norte Shopping. As linhas sobre trilhos conduzirão 60 mil pessoas/ hora, duas vezes mais que os ônibus expressos. Além disso, são uma alternativa sem poluição e custam o equivalente ao que se gastou na Cidade da Música — cerca de R$ 560 milhões.
Bilhete único com a ajuda do estado
EDUARDO PAES (PMDB): Em parceria com o governo do estado, vou garantir a implantação do bilhete único. Fazer uma integração tarifária de fato, através da qual o passageiro poderá usufruir livremente do sistema de transporte por três horas, pagando apenas o preço de um bilhete. Reorganizar e racionalizar o transporte da Região Metropolitana é uma outra meta. É preciso garantir que o transporte de passageiros por ônibus desempenhe, primordialmente, a função de alimentar o sistema estrutural (trens, metrô e barcas) e assegurar que as vans e kombis funcionem de modo complementar ao sistema de transporte por ônibus. Também em parceria com o estado, vamos buscar financiamentos junto ao governo federal e a bancos internacionais para fazer uma expansão mais acelerada de metrô, trens e barcas.
Integração da Região Metropolitana
RAMOS (PDT): Nosso projeto para o setor de transportes é constituído por ações integradas. Não vejo solução para os graves problemas de trânsito e de circulação no município sem a integração concreta e verdadeira entre os vários modais. Hoje, existe um debate para a construção do trem-bala Rio-São Paulo. Já existe até uma articulação nacional para construir um projeto de financiamento. O que proponho é que esse debate alcance a população, para que possamos definir a verdadeira prioridade para os transportes. Creio que é mais importante para o Rio e os municípios da Região Metropolitana um projeto de ações integradas no setor que aliviem o trânsito e a situação dos transportes. O modelo de financiamento poderia ser nos moldes do que está se pensando para o trem-bala. Nesse sentido, proponho as seguintes ações, que devem ser integradas: 1Reativar os ramais ferroviários desativados, revitalizando a estação da Leopoldina (Francisco Bicalho). Vamos fazer gestões junto ao governo estadual para que a SuperVia assuma essa empreitada, fundamental para desafogar o trânsito em toda a região da Grande Leopoldina e adjacências; 2Incentivar o transporte aquaviário, aproveitando o potencial da Baía de Guanabara; 3Ligar Santa Cruz à Praça Mauá pela Avenida Brasil, por intermédio de veículo leve sobre trilhos ou sobre rodas.; 4Levar o metrô até a Barra (linha 4); 5Fazer o Túnel da Grota Funda.
Novo Plano Diretor para a cidade
CHICO ALENCAR (PSOL): Final de 2008, 2,5 milhões de carros circulando no Rio: um caminho para o caos. Urge um sistema de transporte público seguro, integrado e barato. No primeiro ano, faremos a atualização do Plano Diretor, com novo planejamento urbano-espacial da cidade, levando em conta a mobilidade da população. De imediato promoveremos a licitação das 420 linhas de ônibus, com transparência e controle público em benefício dos usuários. Linhas estruturais ligarão subcentros regionais, funcionando com ônibus de maior capacidade e trafegando em vias segregadas. Seu suporte serão os sistemas alimentadores locais, inclusive com micros, vans e ciclovias, que ampliarão a área de influência das estações. Mas a universalização da locomoção só ocorrerá com a ampliação do transporte de massa: metroviário, ferroviário (incluindo VLT) e aquaviário. Estes dependem de parceria com os governos federal e estadual, que buscaremos prontamente.
Reest
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