Preparando-se para abrir capital este ano, a Mhag, mineradora de origem alemã, que tem planos robustos de exploração de minério de ferro em Jucurutu, silenciou ontem sobre rumores de que teria descoberto uma reserva gigante no município, com potencial, em toneladas, de 3 bilhões (algo semelhante à jazida de Carajás, no Pará).
A possível descoberta – que rendeu notas na revista Isto É e na coluna Roda Viva, do Diário de Natal – poderia aquecer os debates sobre a construção de um porto para granéis no Rio Grande do Norte e sustentar, ainda, os planos de expansão da companhia, que quer elevar a produção mensal de 400 mil toneladas para 12 milhões, até o final de 2011. O potencial do estado não desperta o interesse, porém, apenas da Mhag.
O braço minerador do grupo Opportunity seria outro de olho nas reservas do RN. O grupo teria a chancela do Departamento Nacional de Produção Mineral para prospectar minérios no estado e também e em outras áreas do país.
Em relação à Mhag, só em novembro deverá ser rompido o silêncio sobre o tamanho das reservas que possui e vem descobrindo no estado. A companhia está no chamado período de silêncio, determinado pela Comissão de Valores Mobiliários para as empresas que pretendem ingressar na Bolsa de Valores, o que deverá fazer ainda em 2008.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
‘‘O que posso dizer é que estamos desenvolvendo pesquisas em busca de novas reservas e áreas, mas só teremos os resultados em setembro. Confirmando-se as reservas, vamos continuar discutindo como solucionar a questão logística’’, disse o presidente, Luis Nepomuceno. A logística tem sido um dos maiores gargalos enfrentados pela mineradora, que até o início deste ano vinha num ritmo de produção de 400 mil toneladas/mês, tem planos de atingir, em 2009, 1,2 milhão e de saltar para 12 milhões até o final de 2011.
‘‘Mas a logística é cara. Envolve caminhões, trens e longas distâncias. Queremos encurtar essas distâncias para ganhar competitividade’’, frisou ele, em entrevista anterior ao Diário de Natal, em que disse que a Mhag vem estudando um projeto que poderá simplificar o escoamento, mas não descarta participação num terminal de granéis projetado pelo governo do estado para o município de Porto do Mangue, por onde seriam embarcados, por exemplo, minério, cimento, derivados de petróleo e calcário, com mais eficiência.
Os movimentos da Mhag no Rio Grande do Norte vêm sendo acompanhados de perto pelo governo. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Rosado, o diálogo com a companhia é mantido desde que foram iniciadas suas operações em solo potiguar e uma parceria seria estratégica para o RN, em relação ao porto. ‘‘Já nos reunimos com o pessoal do sal, do cimento, do calcário, da Alcanorte e da própria Mhag, que seriam possíveis clientes para esse porto.
Posso dizer que o item que mais pesa para o projeto é o minério de ferro, sem dúvida’’, disse. Ele observou que executivos da Mhag e o grupo Noble, dono de 30% da companhia, apresentaram ao governo os planos de expansão e os investimentos em logística que seriam necessários para dar suporte ao crescimento. O projeto incluiria a construção de um minerioduto integrado a uma ferrovia.
‘‘Eles nos disseram que tinham esse projeto e interesse de desenvolvê-lo junto com o governo. Se por acaso o governo não tivesse recursos eles teriam condições de fazer por conta própria, demontrando segurança e determinação em implantá-lo. Mas uma parceria com eles seria muito importante. Esperamos que os estudos, quando concluídos, possam se complementar’’, frisou Aidna Rosado, acrescentando que, uma vez concluídos os levantamentos, a expectativa é que as partes se reunam para discutir mais uma vez os projetos. ‘‘Qualquer reserva que a empresa conseguir confirmar só reforça a viabilidade disso’’, disse ainda.
Uma matéria publicada ontem na Agência Folha mostra que o grupo Opportunity também estaria cheio de apetite para ganhar espaço no setor mineral. Tanto, que possui alvará de pesquisa na área em 10 estados, incluindo na lista o Rio Grande do Norte. A área de pesquisa da chamada GME4 do Brasil Participações e Empreendimentos S.A, criada no ano passado pelo grupo de Daniel Dantas, seria maior do que o Estado de Sergipe, segundo apurou a reportagem da Agência.
‘‘Em um ano, a empresa teria conseguido autorizações para pesquisas em uma área 57,9% superior à autorizada no mesmo período para a Vale, segunda maior mineradora do mundo’’.
Seja o primeiro a comentar