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Sabe onde aperta o calo?

Celso Athayde, coordenador da Central Única de Favelas


Fala-se em crise da saúde, da educação, da moradia. Na área de segurança, então… Mas meu foco será sobre uma crise que hoje é profunda e atinge uma das mais cruéis faces da violência urbana: o transporte público. Muito do que estamos assistindo hoje, uns de camarote e outros da beira das covas ao enterrar seus entes queridos, vem daqui, dessa simples crise: a do ir e vir, direito garantido por lei, mas esquecido por quem não precisa brigar dentro de ônibus, trem ou metrô ou brigar para entrar neles todos os dias.


Sobre os engarrafamentos os jornais falam, tratando do crescimento da frota de veículos de passeio, os motoristas de vans etc. Mas e as frotas de transporte público? Quem faz o controle de licitações para as empresas conhece onde aperta o calo? Para citar um exemplo, generalizando a situação dos bairros afastados, vamos a Pedra de Guaratiba, que possui uma única linha de transporte público. Moradores gastam muito com transporte e chegam a ficar mais de 40 minutos no ponto. A passagem da linha que vai até o Centro custa R$ 8,50 — a de R$ 2,10 é dos ônibus que só chegam até a Barra da Tijuca.


Quantos bairros e quantas pessoas no Rio passam por isso diariamente? Gastam metade de seus salários em transporte ineficiente e ainda têm de ouvir das autoridades que as linhas os atendem? Nós mesmos (a Cufa) encomendamos uma pesquisa que apontou o transporte como o maior motivo de infelicidade da população, perdendo somente para a violência, e aí é que tudo se mistura.

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Esse trágico quadro não é novo, então que seja novo um planejamento, sei lá, uma regulamentação para a implantação de novas linhas de transporte, e que haja funcionários que verifiquem a periodicidade. Vai falar que é complicado? Então falem, os piratas estão aí para desmentir.


Se realmente querem reduzir o número de mortes nas periferias, se querem levar vida, humor e amor para esse povo, pensem que eles precisam ir, precisam vir, com o mesmo sorriso estampado nos seus rostos quando a eles vocês pedem votos.


 

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Fonte: O Globo

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