Uma das fortes reclamações da população da cidade de São Paulo é a carência de transportes públicos. Para quem mora em lugares afastados a sina diária é lidar, por exemplo, com trens e metrôs lotados. Que o diga a usuária Fernanda Convini, grávida de cinco meses, que utiliza o metrô todos os dias na região central em direção à zona sul. Ela reclama até mesmo da falta de lugar para uma gestante se sentar.
Ainda assim, a grávida Fernanda Convini e a secretária Lucilene Fagundes, que utiliza os trens da linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) fazem coro: no horário de pico, metrô e trem são melhores do que andar de ônibus.
Para aperfeiçoar o sistema de transporte sobre trilhos de São Paulo, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos recebeu, no último dia 16 verba adicional de R$ 2 bilhões do governo estadual para o plano de expansão. Com esse complemento, sobe para R$ 19 bilhões até 2010 o total de recursos que serão destinados à ampliação principalmente da rede metroferroviária.
O sistema sobre trilhos e as linhas intermunicipais de ônibus movimentam cerca de 8 milhões de pessoas todos os dias e liga três regiões metropolitanas do estado. Com a finalização do plano em 2010, estima-se que as três companhias – além do Metrô e CPTM há também a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) – passarão a transportar 12 milhões de usuários.
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Segundo o secretário-adjunto dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, o projeto de expansão deverá aumentar em 40% o transporte metroferroviário e reduzir em 25% o tempo de viagens. Os R$ 2 bilhões incluídos aos recursos foram resultado da maior capacidade de endividamento do governo estadual – de acordo com lei federal, os Estados poderão aumentar a capacidade de solicitar mais empréstimos de instituições e outros segmentos em conformidade com sua a receita. Segundo o secretário-adjunto, esta receita vem aumentando nos últimos anos através da arrecadação de impostos (ICMS, por exemplo), do desenvolvimento das empresas de São Paulo e em função da geração de mais empregos. Os R$ 2 bilhões servirão para iniciar as obras de expansão da linha 5 lilás do Metrô.
Menor intervalo
Para aperfeiçoar a operação dos trens da CPTM foram compradas por R$ 57,2 milhões máquinas que servirão para a manutenção e inspeção dos cabos quaternários – que fornecem energia aos trens – e das vias por onde circulam as composições. Tais ações vão reduzir as falhas do sistema, atrasos e conseqüentemente o acúmulo de pessoas no local de embarque e dentro dos trens. A intenção da CPTM com esses novos equipamentos é começar a transformar 160 quilômetros de linha de trem em metrô de superfície. Com a manutenção e inspeção automática e modernizada das vias da CPTM poderá atingir ao mesmo padrão de qualidade do Metrô, ou seja, transportar mais gente, de forma mais rápida, segura e com intervalo de espera entre um trem e outro de cinco minutos, explica o gerente geral de manutenção da CPTM, Cláudio Sumida.
Atualmente, a companhia metroferroviária transporta 1,8 milhão de pessoas em dia útil e tem um intervalo médio de seis a oito minutos em horários de pico.
Além da manutenção, para reduzir o tempo no transporte, foram contratadas 40 composições. Com oito unidades em licitação somadas a 12 trens em processo de entrega, o total de composições subirá para 60 até 2010.
O Metrô também está investindo para a melhoria de seus serviços – também adquiriu novas máquinas para manutenção e inspeção da linhas, mas diferentemente da CPTM, são máquinas para troca do chamado terceiro trilho, por onde passa a energia que movimenta os trens. Os equipamentos também fazem a manutenção da via e conferem o desgaste dos trilhos.
Ao mesmo tempo que as vias metroviárias serão modernizadas, em 2010 serão concluídas as extensões da Linha 2-Verde e da Linha 5-Lilás e a inauguração da Linha 4-Amarela. Com essas extensões, o usuário poderá ter uma gama de opções de viagens, não necessitando recorrer a um único caminho como o que acontece hoje. Além disso, com 47 novos trens e com a reforma de 98 em operação, poderemos chegar de 4 a 6 pessoas por metro quadrado, bem mais confortável que o número atual, de 10 pessoas por metro quadrado, diz o gerente de manutenção do Metrô, Walter Ferreira de Castro Filho.
Outra inovação foi o sistema de sinalização. Com ele, através de um rádio dentro dos trens, as composições são informadas permanentemente onde está posicionado o trem da frente. Isso possibilita diminuir a distância entre eles de 150 para 15 metros. O resultado é o menor intervalo entre os trens e mais capacidade na via.
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