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Lazer sobre trilhos

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula, apresentado em 2007, prevê o Trem de Alta Velocidade Rio-São Paulo, que ligaria as duas maiores cidades do Brasil atingindo uma velocidade máxima de 360 km/h. Com a passagem de US$ 50,00 (cerca de R$ 115,00), você fará a viagem da Estação da Luz, em São Paulo, até a Estação Central do Brasil, no Rio, em apenas 1h20. Isso sem contar a ligação com os aeroportos das duas cidades e uma linha extra ligando a capital paulista a Campinas, com 100 km de distância.


Tirando os fatores históricos, como o falta de investimento (ou investimento tardio) e concorrência automobilística do século XX, que contribuíram para que o Brasil não tivesse tantas linhas férreas desenvolvidas para transporte de passageiros, há um certo glamour nesse tipo de viagem.


Quase todos os trens turísticos estão nas regiões Sul e Sudeste, mas neles, diferentemente do trem-bala planejado por Lula para a Copa de 2014, os passageiros querem aproveitar o tempo sem pensar na velocidade.


O mais luxuoso trem turístico no Brasil é sem dúvida o Great Brazil Express, no Paraná, que utiliza as linhas Curitiba-Morretes e Ponta Grossa-Cascavel. Os roteiros têm cerca de 500 km de trilhos em vagões luxuosos, porém a empresa oferece pacotes combinados que incluem viagens de avião de Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu e hospedagem em hotéis luxuosos. Os roteiros não costumam sair por menos de R$ 2,5 mil.

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O projeto do Great Brazil Express é uma parceria da belga Transnico Internacional com a concessionária paranaense Serra Verde Express, que já detém outro trem que opera entre Curitiba e Paranaguá desde 1997. Há vagões luxuosos e outros mais básicos, que custam a partir de R$ 28,00.


“Com o Trem do Pantanal, que terá suas operações retomadas em maio de 2009, completamos 32 trens turísticos no País, segundo dados oficiais da ABOTTC (Associação Brasileira dos Operadores de Trens Turísticos e Culturais)”, diz disse Adonai Arruda Filho, vice-presidente da ABOTTC e diretor comercial da Serra Verde Express. “Há uma movimentação por parte de empresas que acreditam nesse segmento e estão trabalhando em prol do crescimento do turismo em geral. Há 11 projetos de reativação de trens, que devem ser concretizados até o ano de 2010”, completa.


Rio de Janeiro


O que recebe maior número de visitantes é o Trem do Corcovado, inaugurado em 1884, que em 20 minutos transporta os 360 passageiros de Cosme Velho até o Corcovado. Para chegar próximo ao Cristo Redentor, a 710 metros de altitude, o trem percorre o trecho de 3,8 km em meio ao Parque Nacional da Tijuca, com a vegetação da Mata Atlântica. A viagem no trem elétrico – e, portanto, não poluidor – sai por R$ 36,00 ida e volta. O Rio tem outra ferrovia interessante com trens turísticos. É a Estrada Real, em Paraíba do Sul.


Rio Grande do Sul


O Trem do Vinho, inaugurado em 1993, hoje faz o caminho Bento Gonçalves-Garibaldi-Carlos Barbosa. A locomotiva a vapor percorre duas horas de trilhos entre videiras e muito verde. Corais italianos invadem os vagões para dar alegria à viagem e ajudar a contar a história da região. Nas estações, parada para degustar vinhos e suco de uva. A passagem custa R$ 43,00, mas varia com a época do ano.


Minas Gerais


São quatro as estradas de ferro usadas para trens turísticos. A principal é a das cidades históricas, que liga Ouro Preto a Mariana. São 18 km e quatro estações, com belas visões de rios e cachoeiras. Dentro das reformadas estações, funcionam centros culturais para turistas e moradores. Custa R$ 30,00 ida e volta. Os outros trens turísticos ficam na Serra da Mantiqueira; outro de São João Del Rei a Tiradentes; e ainda um de São Lourenço a Soledade de Minas, na região das águas termais.


Nordeste


O único trem turístico da região é o Trem do Forró, de Pernambuco, que só funciona em época de festa junina. O trem sai do Marco Zero de Recife e vai até o Cabo de Santo Agostinho. A viagem de três horas, feita em um vagão enfeitado com artigos juninos, é com direito a muito forró e paradas para apresentações de grupos e para experimentar as comidas típicas. Custa R$ 70,00.


São Paulo


O trem turístico mais famoso do estado é a Maria Fumaça de Campinas a Jaguariúna. Monitores contam durante o percurso de 3h30 (ida e volta) a história do café e das pessoas que utilizavam aquele trem em seu auge. São 26 km de trilhos que ligam as seis estações da linha, restaurada para ficar como as velhas locomotivas a vapor do século XIX. O passeio custa R$ 30,00. Destaque também para a estrada de ferro de Campos do Jordão e para o bondinho do Morro Monte Serrat.


Trem urbano


O Trem do Imigrante, localizado em uma região central da capital paulista, é desconhecido por grande parte dos paulistanos. Ele parte de dentro do Memorial do Imigrante, na Mooca, e vai até o vizinho Brás. Inicialmente a reconstrução seria somente de uma antiga estação de trem da São Paulo Railway na época cafeeira, mas o projeto acabou se expandindo. Por R$ 5,00, você “viaja no tempo” por pouco menos de meia hora no trem com capacidade para 60 passageiros. Os funcionários também estão com vestimentas da época.

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Fonte: Guia da Semana

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