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Lentidão permanece na Transnordestina

Repercute de maneira negativa a lentidão com que estão sendo realizados os trabalhos de construção da ferrovia Transnordestina. Emperrado em um emaranhado burocrático, ainda não foi sequer assinado o edital de licitação com o objetivo de definir a empresa realizadora dos trabalhos de topografia e de avaliação da área a ser desapropriada, para assentar os trilhos da ferrovia no Ceará.


Até agora, o único trecho em obras de toda a Transnordestina, projetada para ter uma extensão total de 1.860 quilômetros, é o localizado entre os municípios de Missão Velha (Ceará) e Salgueiro (Pernambuco), com apenas 96 quilômetros da extensão. Ainda existe o agravante da possível ocorrência de problemas quanto a desapropriações futuras em trechos importantes da ferrovia, sobretudo aqueles mais próximos aos seus destinos finais.


A lentidão nas fases preliminares da obra ocorre no exato momento em que, após décadas de marasmo, o sistema ferroviário amplia sua presença na economia, respondendo por 26% do transporte geral de cargas no País. Esse recente desenvolvimento do transporte através de vias férreas explica-se pela deficiente estrutura da malha que serve aos transportes rodoviários, já responsáveis por sensíveis prejuízos a algumas empresas que deles se utilizam com freqüência.


Até a década de 1960, o transporte através de trens, tanto comercial quanto de passageiros, representava um fator de integração e desenvolvimento para o Brasil. A Região Nordeste mantinha, na época, 7.400 quilômetros de linhas servindo a dez Estados e transportando, anualmente, em torno de 16 milhões de passageiros e mais de dois milhões de toneladas de carga.

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Em decorrência da priorização econômica do sistema rodoviário em detrimento do ferroviário, por razões não claramente justificadas, ocorreu a quase completa erradicação daquele que é, conforme comprova sua grande utilização nos mais importantes países do mundo, o mais prático e econômico meio de transporte, válido, até mesmo, no sentido de melhor preservação ambiental.


A Transnordestina será de vital importância para o escoamento da produção de grandes indústrias regionais, localizadas no Ceará, Pernambuco, Piauí, Maranhão e oeste da Bahia, através do porto pernambucano de Suape e do porto cearense do Pecém.


Quanto às indenizações dos proprietários das terras ao longo da ferrovia, no Ceará, a boa notícia é que a Justiça Federal em Juazeiro do Norte encetou mais um mutirão para agilizar os procedimentos de desapropriação de mais de 300 famílias. Os acordos têm chegado a 85%, o que é considerado uma boa média.


Devido aos prazos para a tramitação dos processos de licitações e acrescendo-se os eventuais impasses jurídicos, parece estar longe o dia em que os nordestinos contarão com essa obra para impulsionar a economia regional, a não ser que haja urgente decisão política de executá-la, conforme foi prometido quando do início de suas obras em Missão Velha. 
 
 
 


 



 

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Fonte: Diário do Nordeste

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