Sem a BR-101, não existia melhor alternativa para o transporte de cargas na região senão a ferrovia. Até os anos 80, a produção do sul catarinense, puxada pelo carvão de Criciúma para Imbituba, seguia os trilhos por vagões e locomotivas. Porém, em todo o país, o sistema ferroviário estagnou e os produtos nacionais passaram a rodar pelas estradas sobre os caminhões. Hoje, com as rodovias abarrotadas, as ferrovias ressurgem com a promessa de dar conta da demanda e, até mesmo, reduzir os custos com logística.
Em Santa Catarina, de acordo com o Plano Nacional de Viação, o Projeto de Lei de Conversão contempla três corredores ferroviários: um para ligar o Oeste ao Litoral, outro na faixa do Planalto Serrano, e um no litoral, este já chamado de Ferrovia Litorânea. Este último vai ligar os atuais 164 quilômetros da Ferrovia Tereza Cristina, de Criciúma à Imbituba, até Araquari, no Norte do Estado, somando mais 236 quilômetros.
O que é anseio de todo o setor empresarial do Sul de Santa Catarina caminha para sair do papel. De acordo com o gerente de planejamento e assuntos regulatórios da Ferrovia Tereza Cristina, Celso Schurhoss, o projeto já está em andamento. Em setembro deve ser definida a empresa que vai executar a obra, diz. E não é só o Sul que será beneficiado, o Governo Federal, com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), sinaliza para um aumento considerável da malha ferroviária nacional. As regiões Central e Norte brasileiras devem ganhar ligações com os principais estados da federação.
Este espocar de ferrovias pode elevar o panorama da logística brasileira para mais próximo da realidade de países do primeiro mundo. Atualmente, apenas 25% da produção nacional é escoada pelas estradas de ferro, contra 61% das rodovias e 14% das hidrovias. O Brasil gasta em torno 25% de seu Produto Interno Bruto (PIB) com logística. Esse valor considerado alto se comparado com os 12% dispensados pelo Canadá e 12,7% por Portugal, por exemplo. Os gastos em transporte correspondem a 31% dos custos com logística. Entre os países com grandes dimensões territoriais, o Brasil é o mais defasado quando a questão é o transporte ferroviário.
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Porém, de acordo com Celso, o país deve reverter este atraso. Nos próximos 10 anos, quem percorrer o Brasil vai ver muita ferrovia sendo construída. É a única saída. O sistema rodoviário está em colapso, comenta. O crescimento na quantidade de trilhos não apenas diminui o fluxo nas rodovias brasileiras. O plano de aumento da malha ferroviária também visa a valorizar os caminhos pelos mares da costa nacional. As ferrovias que já estão em construção ou em fase de estudos no Brasil, além de ligar o interior ao litoral, também têm como objetivo criar corredores para que a produção chegue aos portos para o escoamento, explica o gerente da FTC.
Na mudança de cenário em curso, segundo Celso, o maior beneficiado será o produtor rural, que fará com que seus produtos sejam mais competitivos, principalmente na esfera mundial. Este caminho entre o interior e os principais centros brasileiros e portos vai contemplar principalmente o produtor enfatiza. Hoje a produção nacional é encarecida por causa dos custos com o transporte. Com este incremento na malha ferroviária, fogem-se dos pedágios e ganham-se facilidades na logística.
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