Restringir os automóveis, mas sem cobrar para andar de carro nas vias. É o que propõe o consultor de transportes Horácio Figueira, para quem o pedágio urbano significa vender o viário para quem tem condições de pagar caro para usá-lo. Leia abaixo trechos da entrevista:
FOLHA – Como o Sr. vê a idéia de implantar o pedágio urbano em São Paulo?
HORÁCIO FIGUEIRA – Sou contra, custe ele US$ 2 ou US$ 20. Se custar barato, só irá tirar no máximo 10% a 15% dos carros das ruas. Se custar caro, pior ainda: significa vender o viário às pessoas ricas. Uma segregação social total.
FOLHA – Então é elitista?
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FIGUEIRA – Se cobrar pouquinho, não é elitista, mas também não vai ter o mesmo resultado do de Londres. Sou favorável ao aumento do preço do estacionamento para restringir os carros.
FOLHA – Pedágio antes de melhorar o transporte público é uma contradição?
FIGUEIRA – É um contra-senso. Tirar as pessoas do carro e colocar onde? É um convite ao martírio.
FOLHA – Há alguma solução para o trânsito em que todos saiam ganhando?
FIGUEIRA – Não. É preciso ganhar espaço, e para isso tem que incomodar o usuário do automóvel. O automóvel virou um câncer urbano. Só vão morar veículos aqui. Vamos ter que morar em outras cidades e vir visitar os carros nos fins de semana…
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