A Supervia, concessionária dos serviços de trens urbanos na região metropolitana do Rio, está estreando no mercado financeiro. A empresa, cuja privatização completa dez anos em 2008, pretende captar R$ 150 milhões via Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC). A operação será lastreada nos recebíveis da companhia. A oferta, registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é coordenada pelo Standard Bank de Investimentos e pelo Banco Prosper S.A.
O título tem prazo de sete anos e será corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais um cupom pré-fixado de juros a ser definido pelos investidores. Parte dos recursos captados, R$ 20 milhões, serão usados pela Supervia para quitar um empréstimo-ponte no mesmo valor feito junto ao Standard Bank. O dinheiro permitiu à concessionária fluminense antecipar investimentos enquanto a oferta via FIDC não for concluída.
O restante dos recursos captados será utilizado pela Supervia em projetos para melhorar a qualidade dos serviços prestados, o que inclui novo sistema de sinalização, remodelação de estações de passageiros e adequação e reforma de material rodante e da via permanente (trilhos). As informações constam do prospecto preliminar da oferta registrada na CVM.
Com uma malha de 225 quilômetros de extensão, a Supervia atende 11 municípios das zonas Oeste e Norte do Rio, além da Baixada Fluminense, regiões nas quais administra e opera 89 estações. No fim de 2007, a empresa transportava 437 mil passageiros por dia útil. Em 2008, o número atingiu o patamar de 500 mil passageiros por dia útil, 95% dos quais são pagantes. O Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) da região metropolitana, de 2003, apontou que o sistema operado pela Supervia poderia transportar 1 milhão de passageiros por dia útil em 2013.
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Especialistas em transporte ferroviário de passageiros acreditam que esse número poderia ser atingido em 2015 desde que a empresa consiga desenvolver um agressivo programa de investimentos. O Valor apurou que há negociações em curso entre a Supervia e o governo do Estado do Rio, que representa o poder concedente, envolvendo um programa de investimentos de R$ 2 bilhões até 2023, incluindo a compra de novos trens e a construção de um ramal ferroviário até a Ilha do Governador, na zona Norte.
Esse investimento depende, porém, de antecipar a prorrogação do atual contrato de concessão, que vence em 2023, para 2048. Os investimentos firmes previstos, por enquanto, para o período 2008-2009, envolvem recursos próprios da companhia e os R$ 150 milhões da oferta via FIDC. Do total a ser captado, cerca de R$ 50 milhões devem ser aplicados em um novo sistema de sinalização, que garante maior eficiência e segurança à operação. No mercado comenta-se que sete empresas disputam a encomenda. São elas: Alston, Bombardier, Siemens, GE, Union Switch, ECM e Tales.
Uma fonte disse que a captação da Supervia demonstra que concessionárias de serviços públicos têm condições de acessar o mercado com operações estruturadas. A Supervia pertence à Rio Trens Participações, que é controlada pela Rio Trens Corporation. Os acionistas da Corporation são quatro fundos de investimento (The Transportation Infrastruture Equity Fund, com 37,1%; Rio Trens Fund, 18,5%; Rio Rail Partners, 25,9%; e Electra International Brazil, 18,5%).
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