Que o Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) e o Metrô de Fortaleza (projeto Metrofor) são soluções exaustivamente repetidas por setores ligados ou não ao poder público para melhorar a fluidez do trânsito não há do que duvidar. Muitas são as propostas de melhorias aqui e ali. Mas, a curto prazo, o que se pode fazer?
Essa foi a pergunta que o Diário do Nordeste fez na manhã de ontem a alguns dos presentes no III Encontro de Qualidade e Tecnologia do Transporte Urbano, que termina hoje no Ponta Mar Hotel, e objetiva viabilizar modelos de integração do sistema de transporte para otimizar a melhoria da qualidade do serviço.
Quem começa a dar sugestões é o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Ademar Gondim. Para ele, as linhas de trem hoje existentes poderiam ser integradas ao sistema de ônibus. “As linhas metropolitanas com as urbanas de ônibus”, sugere. Na avaliação de Gondim, os ônibus que vêm de Maracanaú, Caucaia, Itaitinga e de outros municípios da Região Metropolitana poderiam ficar nos limites da Capital e, dali, os passageiros fazerem uso dos coletivos urbanos.
Pessoa Neto, engenheiro de transporte e assessor técnico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), apesar de ressaltar que não há soluções rápidas e fáceis para a questão, garante que a saída é o investimento no transporte coletivo. Ele ressalta que um dos grandes motivos para a situação chegar a esse ponto foi a implantação de uma política de longo prazo de priorizar o transporte individual.
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Porque, avalia ele, não há espaço suficiente para se colocar em circulação toda a frota de veículos particulares que ingressam tanto em Fortaleza como em outras cidades todo mês. “Nós estamos numa situação de estrangulamento. Os governos não têm capacidade de criar novas vias, pelo menos em velocidade suficiente para poder absorver toda essa frota de veículos. Se nós colocarmos um carro na mão de cada habitante, simplesmente eles não vão sair nem da garagem”, diz.
Calina Barros, diretora técnica da Etufor, aposta, entre outras ações, no sistema de binários, no qual se propõe que uma via assuma um sentido inverso ao de uma outra, paralela. A exemplo, avenidas Desembargador Moreira e Senador Virgílio Távora. “Num estudo que estamos fazendo com a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC), pensa-se em colocar a primeira no sentido único sertão-praia e a segunda, praia-sertão, também único. Além disso, tirar canteiro central e criar faixa exclusiva para o transporte público coletivo”, explica.
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