Lotados no início da manhã, no fim da tarde e, agora, ao longo do dia. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) tem recebido mais passageiros entre 8 e 17 horas. São pessoas que mudaram de transporte para escapar dos ônibus, do trânsito ou dos vagões abarrotados dos horários de pico. E obrigaram a CPTM a aumentar a frota e reduzir intervalos.
Ainda vem um pouco cheio, mas é melhor, diz a programadora de sites Juliane Santos, de 27 anos, que compara o trem das 10 horas aos do início da manhã, quando há, em média, entre 5 e 7 pessoas comprimidas por metro quadrado.
Juliane estava na Linha 9-Esmeralda às 10 horas da terça-feira passada. Antes, ela entrava às 9 horas no escritório onde trabalha, na zona oeste. Negociei, porque mais cedo o trem é muito cheio. E por que não opta pelo carro? Demoraria 40 minutos a mais para vir, justifica ela, que mora no Capão Redondo, zona sul. Atenta, Juliane notou a mudança. De um ano e meio para cá, o trem tem ficado mais cheio depois das 9 horas.
Sua percepção é ratificada pelo diretor de Operação e Manutenção da CPTM, Mario Fioratti. Sim, as pessoas passaram a usar mais os trens fora dos horários de pico. Segundo ele, essa fatia da população embarca nos trens para realizar tarefas como pagar contas ou fazer compras. Tanto é que estamos reduzindo o intervalo neste período. Isso está, inclusive, nos obrigando a alterar nosso processo de manutenção.
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Moradora da Freguesia do Ó, na zona norte, a analista de suporte Jennifer Caetano, de 21 anos, aproveita o horário diferenciado do seu emprego em Pinheiros – ela entra às 11 horas – e foge do horário de pico. Esse horário é muito melhor, dá para estudar. A jovem opina com a experiência de quem conhece as cenas dos horários de pico. Mais cedo, não dá para entrar. Às vezes, tem de esperar até quatro trens.
Nos fins de semana, a mudança também é observada. Aos sábados, quando vai às compras, a analista de importação Mariana Souza Peres, de 38 anos, segue de trem da Estação Santo André, da Linha 10-Turquesa, até a da Luz, no centro da capital. Economizo tempo e o dinheiro que gastaria com combustível e estacionamento. Não fico estressada no trânsito, o que acontece na semana.
Aos domingos, a mesma linha permite à auxiliar de enfermagem Cristina Silva Andrade, de 35 anos, moradora de São Caetano do Sul, ir à feirinha da Liberdade. O trem é bem rápido e, nos fins de semana, dá até para sentar.
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