Com recorde de usuários nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, o trensurb dá sinais de superlotação. Foram transportados, respectivamente, 3.693.110 e 3.540.013 usuários no período. Isso representou, no mês de janeiro, um aumento da demanda de 6,31% (219.389 usuários a mais) e, em fevereiro, de 16,83% (510.170). A constatação fez com que a Trensurb cancelasse o horário de férias, com intervalos maiores, e retomasse a operação normal antes do previsto. Decisões como esta e a inclusão de mais um trem no horário de pico da manhã demonstram que o sistema atual não dá conta da demanda crescente.
O presidente da empresa, Marco Arildo Cunha, reconhece o problema e diz que já discute as soluções com o governo federal. ‘‘A questão hoje é a superlotação. Estamos discutindo na sala de situação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a necessidade de ampliação de frota. Queremos frota nova. Falei com o coordenador do PAC, Maurício Muniz, e expliquei a importância disso’’, diz Cunha. Para ele, a superlotação dos trens é reflexo da situação econômica do País. ‘‘É sinal de que a economia está aquecida. Em janeiro e fevereiro tivemos recordes de novos empregos e 80% das pessoas que andam no trem têm carteira assinada e se deslocam entre a casa e o trabalho. Além disso, a tarifa de R$ 1,70 está muito aquém das tarifas de ônibus.’’
Trens maiores
A solução para a superlotação não sairá a curto prazo. Segundo Cunha, a colocação de mais veículos em circulação não resolveria o problema. A ideia é comprar trens maiores, ampliando de quatro para seis vagões em cada unidade. ‘‘Com mais trens teríamos que diminuir o intervalo e isso não é possível’’, diz o presidente da Trensurb. ‘‘Na última estação, a Mercado, temos apenas um terminal de manobra. Essa operação de sair da estação, ir até o terminal e voltar pela outra via dura aproximadamente 3 minutos. Usamos 4 minutos por conta de possíveis imprevistos.’’ Ou seja, não há como reduzir ainda mais o intervalo nos horários de pico.
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Construir outro terminal também não seria viável, conforme Cunha. ‘‘Teria que tirar metade da faixa da Avenida Mauá (em Porto Alegre). A única solução seria um terminal subterrâneo, uma obra de custo enorme e complexa.’’ A ampliação de vagões aumentaria a capacidade do trem de 1.080 para 1.700 pessoas, com uma taxa de 5,4 pessoas por metro quadrado.
Mais 30 mil usuários
A situação deve piorar com a inauguração da extensão do trem até Novo Hamburgo. Quando a obra com mais quatro estações chegar ao fim, a demanda de usuários deve aumentar em 30 mil por dia, conforme estimativa da Trensurb. ‘‘Os trens novos serão mais leves e eficientes na frenagem e aceleração. Isso fará com que tenha tempo de viagem menor entre Porto Alegre e Novo Hamburgo’’, diz Cunha. Para dar conta da demanda até a compra de novos trens, entretanto, a empresa deve adotar o sistema de carrosséis, no qual um trem vai até a estação São Leopoldo e outro até Novo Hamburgo.
Em Novo Hamburgo
Desde que as obras de extensão do trem começaram, a paisagem urbana e o trânsito de Novo Hamburgo têm passado por modificações. E mais mudanças estão a caminho. Depois da desapropriação de parte do terreno do hipermercado Carrefour, já foi decretada a desapropriação de parte da área da Tintas Killing, na Avenida 1º de Março. Conforme o engenheiro da Trensurb Lino Fantuzzi, também estão em andamento as tratativas para desapropriar o local onde hoje se encontra a Arezzo e o estacionamento da Clínica do Rim, ambos na Avenida Nações Unidas. Os dois espaços serão futuramente utilizados para a construção das rampas de acesso à plataforma da Estação Novo Hamburgo localizada em frente ao Bourbon Shopping.
Preço da passagem
O aumento da demanda no trem pode ser reflexo da diminuição de usuários nos ônibus intermunicipais. Empresas de viação urbana que fazem o transporte entre Porto Alegre e Canoas apresentaram dados recentes de que o número de passageiros estaria diminuindo. ‘‘O governo está ponderando sobre o aumento do valor da passagem. Neste momento, em função da contenção da inflação, não há margem para isso. Eu acho que a tarifa tem que ser justa, mas não deve haver competição entre os sistemas de transporte’’, defende Cunha.
Compra depende de licitação
A compra de novos trens depende de licitação. Segundo Marco Arildo Cunha, após o processo licitatório e a assinatura do contrato, a empresa vencedora teria um prazo de 18 meses para entregar o primeiro trem. Por isso, a única alternativa encontrada pela Trensurb, conforme o presidente, teria sido a inclusão de um trem a mais pela manhã em dias úteis, esticando o horário em que os veículos passam de 4 em 4 minutos. A medida foi adotada em 14 de março, no sentido São Leopoldo/Mercado. A empresa passou de 19 para 20 trens no início da manhã, criando cinco viagens a mais e acrescentando 7,1% lugares a mais do que o número que era oferecido antes da mudança. No entanto, a superlotação continua.
Projeto da Linha 2
Há, ainda, o projeto de implantação da Linha 2, que passará por bairros de Porto Alegre e poderá aumentar ainda mais o número de passageiros até a Copa de 2014. A discussão está com um grupo de estudos formado por técnicos da prefeitura de Porto Alegre, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e da Trensurb.
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